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Juiza de 9a Vara Civel de João Pessoa. Especialista em Gestão Jurisdicional de Meios e Fins e Direito Digital

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publicado em 27/03/2026 ás 16h10

A mulher que iluminou a humanidade

 

Nos últimos dois mil anos, tivemos mulheres extraordinárias, que lutaram contra tudo e contra todos, em busca dos seus ideais. Hipátia (c. 350/370 – 415 d.C.) foi uma neoplatônica de Alexandria, que lecionou atraindo estudantes de diversas partes do mundo, dedicando-se a razão e ao cosmos. Murasaki Shikibu (c. 973 – 1031 d.C.) foi uma japonesa que se dedicou à literatura, autora de Genji Monogatari (A História de Genji), considerado o primeiro romance psicológico do mundo.

Joana d’Arc (c. 1412 – 1431 d.C.) destacou-se como símbolo de liderança militar e religiosa foi uma camponesa francesa, acreditando ser guiada por vozes divinas, liderou o exército francês a várias vitórias cruciais na Guerra dos Cem Anos. Rainha Elizabeth I (1533 – 1603 d.C.) foi uma das monarcas mais importantes da história da Inglaterra, conhecida como a “Rainha Virgem” e a última da dinastia Tudor, presidiu um período de grande florescimento cultural, estabilidade religiosa e expansão marítima, chamada de “Era de Ouro” .

Catarina a Grande (1729 a 1796) foi uma imperatriz alemã que modernizou e expandiu a Rússia como potência europeia, através de guerras e partilha da Polônia, governou por 34 anos, tornando-se uma das monarcas mais poderosas da Europa, ficou conhecida como a “déspota esclarecida”, por sua defesa das artes, ciências e filosofia. Mary Wollstonecraft (1759–1797) foi uma filósofa, escritora e ativista inglesa, precursora do feminismo moderno, e uma voz fundamental na defesa da dignidade e igualdade feminina no século XVIII. Sua obra mais célebre, “Reivindicação dos Direitos da Mulher” .

Marie Curie (1867–1934) foi uma física e química polonesa-francesa pioneira no estudo da radioatividade, termo que ela mesmo cunhou. Primeira mulher a ganhar um Nobel e única pessoa a vencê-lo em duas áreas (Física, 1903; Química, 1911). Rosa Parks (1913–2005) foi uma negra, costureira e ativista norte-americana, reconhecida mundialmente como a “mãe do movimento pelos direitos civis” dos Estados Unidos, porque desafiou as leis de segregação racial do Alabama.

Contudo, em meio a essa constelação de talentos e ousadias, surge uma figura cuja grandiosidade transcende todas as métricas terrenas. Sem instragram ou facebook, ou qualquer rede social, tampouco youtube, ou mesmo sair na Forbs ou ser a mulher do ano da revista Time, Maria de Nazaré é única mulher do mundo que arrasta multidões.

Ela nunca  empunhou um cetro, nem escreveu qualquer tratado filosófico que tenha moldado nações. Seu nome não ressoa pelas galerias de arte ou mesmo nas salas de concerto ou cinemas, por sua autoria direta. Ela nunca liderou exércitos, a não ser o dos anjos, nem muito menos desvendou segredos científicos ou jurídicos. Maria, nem sequer possuiu literacia formal, diplomas acadêmicos ou assento em cadeira de Cortes Supremas, mas foi a mulher ordinária mais extraordinária do mundo.

Escolhida para gerar o filho de Deus, a eleita por seus predicados de humildade e pureza, foi a mulher mais sábia do mundo. Teve no silêncio e na resignação, a  maior arma contra os poderosos. Como humana, não teve dinheiro, prestígio ou influência, nem sabia como litigar, muito menos podia combater a injustiça sofrida.

Submeteu-se às escrituras, sofreu calada a maior dor que uma mãe pode padecer, ao ver seu único filho ser condenado injustamente, morto e crucificado pelos pecados da humanidade. Foi a escolhida, teve seu corpo assunto ao céu, coroada como rainha e dogmatizada como Imaculada Conceição, foi preservada do pecado original, apareceu tantas vezes, como em Fátima, Lourdes, Medjugore, Salette, Guadalupe, Brasil, e mais tantos lugares, fazendo milagres e arrastando multidões, a única a ter uma Surata, de número 19 no Corão.

Em um mundo onde se busca fama e holofotes, em que cada mergulho é um flash, Maria segue como exemplo de força, fé, resignação e sabedoria. Permanece há dois milênios, como o modelo de uma mulher e mãe. Sem títulos ou coroas terrenas, a não ser as que lhe foram atribuídas por devoção, representa a ponte entre o humano e o divino, a escada para a salvação. Ela tem moldado a fé de incontáveis gerações, como a mulher mais retratadas nas artes clássicas, desde a pintura renascentista, escultura de Michelangelo, e incontáveis músicas, para quem Schubert compôs a melodia mais tocada nas bodas, e que até hoje continua iluminando a humanidade.

Como paradoxo de força e gentileza, ela é a rainha sem trono, a mãe da humanidade. Sua perfeição reside na simplicidade de um coração plenamente aberto ao divino. É por todos esses motivos, é a mulher de destaque, aquela que merece ser homenageada no mês dedicado às mulheres, pelo seu exemplo vida, seu caráter, sabedoria, humildade, como exemplo a ser seguido por todas as mulheres que pretendem deixar uma marca no tecido da história.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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