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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Dindi e as histórias de ninguém

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publicado em 24/03/2026 ás 07h00
atualizado em 24/03/2026 ás 07h21

Tudo pode quando temos vontade e estímulo, mas é difícil sermos aquilo que não somos. Os outros, são os outros. E ainda que lhes fosse indiferente e são, que não se acumulasse a indiferença, de ver alguém frequentemente com amor por um gato, um cachorro, ao tomar essa decisão e a vida ser melhor.

Fui visitar Dindi, o gato de Ângela Bezerra e fiquei a lembrar da felicidade de quando eu era menino, da euforia tal que a vida passou e será, e não precisa de outra coisa senão preencher um instante, porque amigos são raros, e boas companhias, nem se fala.

Dindi já é um rapaz, que a escritora deu esse nome se valendo da canção de Jobim, até se revelar que a música vem de rio ´Dirindi´, em São José do Vale do Rio Preto (próximo a Petrópolis-Rio, da família de Jobim), e rio já é uma libertarção.

Dindi traz à lembrança do mar, do amor marinheiro, aquela sensação da Revolução dos Cravos vermelhos simbolizando a paz.

Criar um animal dentro de um apartamento e mesmo assim, os outros estariam a descordar, mas somos nós a descartar opiniões.

Afinal, Dindi tem aquela chispa que alguns revelam e os torna capazes de se desembaraçar dos efeitos previstos pelos humanos, ele chega com suas carreirinhas, de brincar no contexto, de serem provedores de uma alegria sem igual.

Dindi é lindo e é aí que se acha o maior dos privilégios: ser criado por uma mulher amorosa, ativa aos 80 anos.

Domingo é sempre um dia triste. O artista Sandoval me perguntou se o domingo seria uma pausa ou uma causa, de imediato disse pra ele, mais pra uma causa, mas dei uma pausa e fui tomar café com a escritora Ângela Bezerra e ver o crescimento de Dindi.

Uma vez que a história não é inventada e é sempre mais bonita a olho nu e é evidente como toda a  história se desdobra nessas cenas caseiras de não se interromper o sonho de alguém.

Ter um gato em casa nesse viver felizes, muitas vezes até por conta de companhia, na lembrança de um amor marinheiro,  repito, o amor da vida na chegada dos sinais,  é sempre bom lembrar que do mar se diz terra à vista.

Histórias de ninguém são as melhores que se comunicam e não nos escapam. Animais que ficam juntinhos, jamais esquecidos de si, da gente, quando estamos tristes, eles chegam junto às montras para confirmar esse amor.

Kapetadas

1 – Nada é mais caro que parecer rico.

2 – Nenhum ser no universo pratica o livre-arbítrio melhor que os gatos.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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