João Pessoa, 28 de fevereiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Toda vez que perco minha alegria, bate um estrondo em minha idade reencontrada, e isso não tem acontecido com frequência, porque eu já estaria crucificado.
A minha alegria é meu combustível, minha legião do eu sozinho, meu equilíbrio e um homem não pode envelhecer triste. Minha mãe dizia com o café: “de amargo, já basta a vida”.
Garanto que hoje não vou delirar – o tempo não espera nem nos permite mais tirar a bermuda, porque nos querem sério.
Essa coisa que bifurca na construção de um outro a quem acontece as coisas e que evoca a figura borgesiana do duplo sentido, mas nem posso mencionar Borges, porque felizmente muita gente não conhece o poder desse escritor argentino – “a amizade dispensa frequência”
Só que, ao invés de Borges, Cecília Meireles a maior poeta brasileira, é quem me guia – “nem sempre os que estão mais perto, fazem melhor companhia, mesmo com sol encoberto, todos sabem quando é dia”
Eu sou o transformador num arejado contemplador que sou, antes procurava fundir a Pasárgada do Bandeira e como são grandes os poetas escritores nordestinos e, claro, Drummond tinha que ter nascido em Itabira, sua Minas Gerais, hoje devastada num vale de lágrimas.
Caprichosa com o universo ficcional do delírio, que mesmo longe estou perto seu Coração Selvagem, ora no formato de retratos de momento, inspirados em seus versos, ora em entrevistas espasmódicas nas redes sociais, que expõem falas antigas de Clarice, sem sequer saber de seus mistérios.
Mas foram os escritores que trouxeram minha alegria de volta? Talvez, talvez onde as coisas acontecem não ao outro, mas a nós que gostamos de ler, nós por exemplo.
Uma pessoa que passa uma semana sem ler nada não se multiplica sem que, no entanto, essa heteronímia do tempo em vou, fui, irei etc seja pela fome do mundo, por exemplo, à maneira do persona. E aí, onde estavámos?
A minha alegria voltou porque seria impossível localizar-me, perder-me-ia entre os dissabores.
O pivor-expedicionário destes abismos que nos coloca no pensamento do outro, mas que querem e nos confundem com escravos, fosse pelo caprichosamente um género literário, eu daria a cara a bofete.
Um destes dias, em a que alegria desaparecer novamente, numa troca de correio eletrônico, eu ainda mando tudo pro inferno.
Kapetadas
1 – Porcodoxia. Doutrina segundo a qual todo grunhido em uníssono soa como verdade absoluta, ou para tirar onda e criticar o pensamento de manada
2 – A imortalidade foi alcançada. Infelizmente, pelo nosso lixo.
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