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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

A minha alegria voltou pra mim

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publicado em 28/02/2026 ás 07h00
atualizado em 28/02/2026 ás 08h37

Toda vez que perco minha alegria, bate um estrondo em minha idade reencontrada, e isso não tem acontecido com frequência, porque eu já estaria crucificado.

A minha alegria é meu combustível, minha legião do eu sozinho, meu equilíbrio e um homem não pode envelhecer triste. Minha mãe dizia com o café: “de amargo, já basta a vida”.

Garanto que hoje não vou delirar – o tempo não espera nem nos permite  mais tirar a bermuda, porque nos querem sério.

Essa coisa que bifurca na construção de um outro a quem acontece as coisas e que evoca a figura borgesiana do duplo sentido, mas nem posso mencionar Borges, porque felizmente muita gente não conhece o poder desse escritor argentino – “a amizade dispensa frequência”

Só que, ao invés de Borges, Cecília Meireles a maior poeta brasileira, é quem me guia – “nem sempre os que estão mais perto, fazem melhor companhia, mesmo com sol encoberto, todos sabem quando é dia”

Eu sou o transformador num arejado contemplador que sou, antes procurava fundir a Pasárgada do Bandeira e como são grandes os poetas escritores nordestinos e, claro, Drummond tinha que ter nascido em Itabira, sua Minas Gerais, hoje devastada num vale de lágrimas.

Caprichosa com o universo ficcional do delírio, que mesmo longe estou perto seu Coração Selvagem,  ora no formato de retratos de momento, inspirados em seus versos,  ora em entrevistas espasmódicas nas redes sociais, que expõem  falas antigas de Clarice, sem sequer saber de seus mistérios.

Mas foram os escritores que trouxeram minha alegria de volta? Talvez, talvez onde as coisas acontecem não ao outro, mas a nós que gostamos de ler, nós por exemplo.

Uma pessoa que passa uma semana sem ler nada não se  multiplica  sem que, no entanto, essa heteronímia  do  tempo em vou, fui, irei etc seja pela fome do mundo, por exemplo, à maneira do persona. E aí, onde estavámos?

A minha alegria voltou porque seria impossível localizar-me, perder-me-ia entre os dissabores.

O pivor-expedicionário destes abismos que nos coloca  no  pensamento do outromas que querem e nos confundem com escravos, fosse pelo caprichosamente um género literário, eu daria a cara a bofete.

Um destes dias, em a que alegria desaparecer novamente, numa troca de correio eletrônico, eu ainda mando tudo pro inferno.

Kapetadas

1 – Porcodoxia. Doutrina segundo a qual todo grunhido em uníssono soa como verdade absoluta, ou  para tirar onda e criticar o pensamento de manada

2 – A imortalidade foi alcançada. Infelizmente, pelo nosso lixo.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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