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Francisco Leite Duarte é advogado tributarista, auditor-fiscal da Receita Federal (aposentado), professor de Direito Tributário e Administrativo na Universidade Estadual da Paraíba, doutor em direitos humanos e desenvolvimento. Na Literatura, publicou os romances “A vovó é louca” e “O Pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de agosto”, um livro de memórias (“Os longos olhos da espera”), e dois livros de crônicas.

O nome da rosa

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publicado em 17/04/2026 ás 07h00
atualizado em 16/04/2026 ás 17h22
red rose with leaves on white background

A sábia natureza deu aos viventes algo imprescindível: um lugar de espanto, escondido, submundo, dizem os hipócritas; jardim de delícias, dizem outros. Eu, cá com o meu na mão, miro as qualidades desse lugar comum, rico em sensibilidade, compenetrado ao menor movimento de invasão.

No entanto, nele, há um ponto cego que testemunha seus paradoxos. Tem em si, objetivamente, o cheiro mal querido, mas se desejado, cheirado como se fosse um dedo perfumado de jasmim. É feio, dizem uns; extravagante, dizem outros; os que estão em meio termo, dele têm vergonha, mas quando aperreados de coceira, perdem a compostura.

Tem vários nomes: botão, anel, bocó, fuinho, entrada usb, mas o nome de menor tamanho evidencia a máxima expressão da riqueza da língua portuguesa. Paradoxal, a lei suprema da natureza.

Aquele que tem medo da palavra pode ser chamado de cagão. Nada mais natural do que um roseiral escondido que pisca-pisca suas necessidades querendo se mostrar. Na época do tic toc, então…

Deus foi bondoso com essa peça humana:  tudo, ao fim, passa por ele, no momento dele, mas dizem ter sido injusto com sua designação. No entanto, não é recomendável categorizá-lo. Melhor conviver com o roscope de cada um. Questão de respeito pelas diferenças. Pluralidade, a manifestação natural de um Estado democrático de direito.

Há toda uma filosofia por traz dessa anatomia injustiçada. Talvez se pudesse associá-lo a algum horoscopo, mas ficaria um texto muito longo. Já pensou? Nem quero imaginar se Mercúrio retrógado pousasse no fiofó de um escorpião. Meu Deus!

Muitas pessoas lhe faltam com respeito, mas o certo é que se o oião fizesse greve, a boca, lá do alto, teria que se fechar inevitavelmente. Caneco é algo sagrado. Tudo nele tem sentido. Não duvidem!

Também não queiram um ensaio linguístico sobre ele. Em Inglês é asshole, butthole, sei lá. Em francês deve ser nome cul (to?). E em alemão? Desconcertante, arrodeado de consoantes. Será?

Que nada, isso é puro preconceito!  Cuidemos, pois, das verdades mais profundas. Ah, por esquecimento, é preciso registar: o dos brasileiros tem outro nível. Duas letrinhas inocentes, apenas isso.

@professorchicoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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