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Francisco Leite Duarte é advogado tributarista, auditor-fiscal da Receita Federal (aposentado), professor de Direito Tributário e Administrativo na Universidade Estadual da Paraíba, doutor em direitos humanos e desenvolvimento. Na Literatura, publicou os romances “A vovó é louca” e “O Pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de agosto”, um livro de memórias (“Os longos olhos da espera”), e dois livros de crônicas.

Todo livro é uma estrela

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publicado em 30/01/2026 ás 07h38

 

Todos os dias, o (a) escritor(a) escreve. Às vezes, até em sonhos, rabiscando garatujas maquiadas ou afoitas de realidade em ficção. O(a) Escritor(a) é um bicho sem pé e sem cabeça, embora precise de muito crânio para não matar certos personagens.

De outra feita, é preciso muita cabeça para matar mesmo. Tem personagens que são intrusos, cheios de anelos intelectuais, sensuais ou anarquistas forçando a barra. Se não forem mortos, matam até o protagonista do enredo. O problema é que matar um personagem que não deveria morrer ou deixa-lo vivo quando deveria desaparecer, é, quase sempre, a perdição do escritor, ou da sua história.

E há algo pior. Mesmo morto, alguns, como zumbis, ressuscitam e chegam modificados, falantes, afoitos e escrotos. Ou bonzinhos, metidos à besta, com a cara mais deslavada do mundo, se dizendo necessários, um blá, blá, blá irrequieto querendo voz. E mentem! Como mentem esses personagens indesejados!

Por isso, o (a) escritor(a) precisa ter pé bem fincando no chão, embora adore desgrenhar ideias, deixa-las ao léu, como certas pessoas que fazem de conta que não têm um grande problema para resolver. Mas têm, afinal a realidade é entrópica, tal qual aquela escrita que perdeu o ponto só porque o autor não pôs os arreios da contenção em certos personagens mequetrefes.

É difícil ser escritor. Não tanto pela técnica, per si, que requer uma frieza catatônica no trato com o texto, mas pelas abissais da alma que crepitam no magma voluptuoso das angústias, tempestades de granizo e choro querendo ser ouvidas.

No entanto, quase sempre vale à pena. Um livro exposto nas prateleiras do sonhar, mesmo que fiquem acumulados pelos cantos das paredes, trocados por um vídeo de um minuto, o chamariz da contemporaneidade. Pai, afasta de mim esse cálice!

Sim, a Literatura contemporânea vive em tempos hiperinflacionados, embora tenha que se conter em um espaço cada dia mais avaro. Não basta escrever, criar e matar personagens. Há um personagem, o todo poderoso que vive de roer os ossos de escritores.  Não direi o nome dele, o importante é que todo livro é uma estrela.

@professorchicoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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