João Pessoa, 11 de março de 2026 | --ºC / --ºC
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Só quem é do mato sabe o que representa despedir a estiagem, que na curva da estrada faz seu caminho para o oco do mundo.
Com relâmpagos cortando os céus e sob o som amedrontador dos trovões, a seca vai embora e os meninos abrem veredas correndo sob as águas do inverno. Parando a cada biqueira, molhando o corpo e lavando a alma, os moleques seguem sem medo de raios que rasgam o mundo e plantam fogo no chão. Correm felizes pela amplidão de um mundo chamado sertão.
É por isso, que sempre que a chuva vem boas recordações também me chegam. Um dia fui menino e vivi, por muitas vezes, as bênçãos das invernadas sertanejas.
Eram manhãs e tardes de muita água. Com a molecada eu saía pelas ruas, ganhava as calçadas tomando banho de chuva que nos atraía para o mundaréu d’água que caía fortemente do céu sertanejo. Era o batismo para a felicidade.
Se o sertão é querido e lindo, imaginem quando se veste do belo verde, regado pelas águas do inverno, que logo contagia todos com esperança e alegria. Naquele tempo menino, a chuva já nos encantava, pois era lindo vê-la abraçando o sertão, ver os clarões dos relâmpagos e ouvir os trovões sacudir paredes e acordar o surdo mundo.
Voltar ao sertão no tempo de chuva é algo divino.
Mesmo sabendo que o passado não volta, todavia, a chuva do presente permite o reencontro, no imaginário, do atual com o outrora feliz. Somos impulsionados a mergulhar nas águas das novas chuvas, levando nosso pensamento a voar longe e, assim, acreditarmos que novamente somos criança.
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