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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Sem condição

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publicado em 28/04/2026 ás 07h00
atualizado em 28/04/2026 ás 08h03

Sete horas da manhã chego ao centro da cidade. Fui ensinado a não ter ouvidos para o que não fizesse sentido. Por exemplo:  Internet, é o lugar onde as pessoas falam o que querem, mas não querem que respondam como não querem. No ´Clube da Luta´ Chuck Palahniok diz que é fácil chorar quando você se dá conta de que todo mundo que ama vai rejeitá-lo ou morrer. O dia determina.

Nada de ser condenado à rotina, talvez os exemplares ou imutáveis. Não, nada disso existe. Sempre os preferi humanos, a quem pudesse admirar e reprovar com reverência.

Tudo têm seus dias de esquecimento, como uma luz longe do túnel. Sempre foi bom reencontrar personagens em livros, filmes, músicas. Eu sou rebelde porque a vida quis assim?  Isso é filosofia barata, Senhor K

Gente na obediência dos encontros, na soberania paciente das caixas de sapatos, na espera do filho pródigo que, cansado do mundo, retornará ao abraço da parábola.

Estou no elevador, mas não estou só, logo ele fala: “elevador subindo para o segundo andar”. No corredor, o amador ainda tem cordão umbilical.

Palavras são coisas, fotografias vazias dos que não conseguem sequer um diálogo matinal monossilábico, bom dia, boa tarde, boa noite.

Adriana, a moça que traz o café pela manhã, disse: “quem vai trazer as garrafas amanhã (que é hoje) é “irmãzinha (foto)” – por que irmãzinha, Adri? “Porque ela é evangélica”. Piedosos, dizem amém de boca cheia

O cara sai de casa todos os dias para olhar os carros dos outros e não olha porque são muitos, mas eles têm seus motivos, mesmo quando se prestam a puxar conversa e ninguém quer conversar e tratam as caras do ´Clube Causa Efeito´ de patrão, doutor, mestre ou colega.

Festival de melancias nas cabeças dão ao receptor o direito abusivo de dizer “conheço fulano, é uma péssima pessoa”.

São quase todos deuses melancólicos insensíveis, ávidos, resignados a que esse diálogo não signifique compreensão, sequer um santinho de altar.

De olhos bem fechados, continuamos no cinema de Kubrick. De quem?

Kapetadas

1 – Bora rir?  O humor é o único fracasso que, quando dá certo, vira aplauso.

2 – Seja o menos egocêntrico possível por favor.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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