João Pessoa, 22 de abril de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
Graduada em direito e pós graduada em direito criminal e família, membro da academia de letras e artes de Goiás, tenho uma paixão pela escrita Acredito no poder das palavras para transformar realidades e conectar pessoas

O tempo nunca se perde

Comentários: 0
publicado em 22/04/2026 ás 07h00
atualizado em 21/04/2026 ás 16h52

O tempo não bate à porta; ele atravessa. E nunca se perde, nós é que nos perdemos no tempo.

Ainda há quem trate o tempo como um criado fiel — sempre à disposição, sempre esperando ordens. Enganam-se. O tempo não serve; ele cobra. E cobra caro. E entra sem bater na porta.

Nos salões sociais, nos corredores do poder, nos encontros onde sorrisos escondem cálculos, há dois tipos de gente: os que decidem e os que adiam. Os primeiros erram, sim, mas erram avançando, e isso lhes dá uma vantagem silenciosa: ocupam espaço no tempo devido. Já os outros… os outros são os outros, cultivam a arte elegante da hesitação, como se a dúvida fosse virtude, e não vício disfarçado. Fique atento, não seja disperso.

E é aí que mora a primeira grande ironia da vida: decisões têm consequências. Indecisões, ainda mais. E tome pancada.

O decidido perde, mas aprende. O indeciso perde sem nem saber o que poderia ter sido. Ou seja, não perdeu seu tempo.

Nicolau Maquiavel entenderia isso com frieza cirúrgica: não decidir é, por si só, uma decisão — quase sempre a mais conveniente para os outros, nunca para si. Já Gregório de Matos, com sua língua ferina, diria que há gente que não vive… apenas assiste à própria vida passar, como plateia de si mesma, aplaudindo o nada. E nada para nada, já sabe, né?

Porque a verdade, nua e incômoda, é esta: o mundo não respeita quem hesita demais. Respeita quem se impõe, ainda que com falhas. Até o erro, quando cometido com convicção, tem mais dignidade que a eterna dúvida. Você duvida? Então mostre o contrário.

E enquanto uns ponderam demais, outros avançam, ocupam cargos, corações, oportunidades. Não porque sejam melhores, mas porque chegaram antes. O tempo não premia os mais preparados; frequentemente, premia os mais rápidos.

E então vem a conta: inevitável e irrecorrível. Às vezes bem cara.

A vida não aceita justificativas, só resultados. E não adianta lamentar depois, nem vestir o arrependimento como quem veste um luto elegante, porque luta não tem nada de elegãncia – luto é preto e não é básico, O tempo não se comove. Ele apenas segue.

E deixa um lembrete bem cruel, escrito nas entrelinhas da existência: Não há reembolso para tempo perdido. E buscar o tempo  perdido, só quem conseguiu foi o escritor francês Marcel Proust, em sua obra Em Busca do Tempo Perdido

O resto… é consciência ou a falta dela. Você ainda tem tempo para evoluir?

—————————————————-

Ilustração –  A Persistência da Memória. Pintura de Salvador Dalì de 1931 e localizada no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

[ufc-fb-comments]