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No final do espetáculo´Três Mulheres Altas´(do dramaturgo norte-americano Edward Albee 1928–2016), no Teatro Paulo Pontes, aatriz Ana Rosa, que faz o papel da idosa, vem para perto do público e diz que ´a melhor fase da vida é o fim´. Nessa vibe o herói não se salva, porque aesperança não é a última que morre,como anunciou Chico Anísio em 1974, no disco ´Baiano e Novos Caetanos´
Entre os embates travados pelas “Três Mulheres Altas”, Ana Rosa, Helena Ranaldi e Fernanda Nobre, (dirigida por Fernando Philbert), o grande protagonista é o tempo e também a forma com que lidamos com o envelhecimento. Já vi várias pessoas dizendo que envelhecer é a pior fase. Olha, não aceite camisa de quem anda nu.
O texto nos faz pensar qual realmente é a melhor fase da vida, além do olhar da juventude para a velhice, sobre a pessoa de 50 anos que também já acha que sabe tudo e, fundamentalmente sobre o que nós fazemos com o tempo que nos resta. Apesar dostoques demasiados, a peça é uma comédia em que os espectadores conseguem ri de si mesmos – por enquanto.
O que nos é dado além da vida?, pois se é para o que estamos fadados neste fosso virtual que nos calhou e em que alguns vão duvidando que se lhe possa chamar de época, sendo algo mais próximo de um intervalo, uma ´dor nos quartos´ à espera, desesperando quem se vê confinado a tão fraca reserva, mas o barco ainda não afundou.
Vamos imaginar que a atriz Ana Rosa tem razão: o melhor da fase da vida… e ela fala como personagem, mas o significado sem ser obrigado a entender assim e a torcer, aprimorar, altear, vir com força pra vida quando a velhice chegar, já tivemos muitas fases – mas é difícil saber qual a melhor.
Onde está a colheita? Seria ela a fase melhor da vida? E quando a colheita é o pagamento, porque só se escuta por aí que ´muitos vão pagar aqui mesmo´. Pagar o quê? A vida esculpa os seus próprios mandatos, nos coloca na estrada para que possamos ser atores em movimento.
A ausência do que fazer na presença da sede de viver mais, temas tais num ouvido escasso que só aplaude o eco dos triunfos, que já se sabe com a pressa de passar a limpo, e logo passa tudo com aquele aplauso ou vaia, que num tempo mais estreito, só passa quem souber.
Se o mundo faz charme, a personagem da atriz Ana Rosa está errada, a transa geracionalque anda ocupadíssima com as fotografias caricatas, os seusreels como rituais de apresentação em todas as fases, babau
Tanto esforço para viver e não ter a vergonha de ser feliz e todo esse empenho que fazemos só não surge apeado pois serve como exercício para amadurecer. Mas também podíamos vir repetir que não foi certamente para isto que viemos, desde o início, o meio e o fim.
Kapetadas
1 – E aí,é ultimato ou eu te mato?
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 08/04/2026