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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: [email protected]

Da Merenda Escolar a alta Gastronomia

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publicado em 08/04/2026 ás 20h42

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No mundo pós-moderno não se admite improvisações. A sociedade evoluiu e as exigências aumentam e os procedimentos são embasados em princípios científicos para assegurar a eficiência e a eficácia. Com a evolução e as especificidades das funções e atividades do homem o conhecimento foi se compartimentalizando e pontuando o aprofundamento do fazer e do conhecer, cada vez mais embasando-o de aprimoramento epistemológico e com este procedimento metodológico estabelecer a segurança do exercício profissional. Por que falo assim? Para dizer da atividade da cozinheira ou cozinheiro que hoje transformou-se em uma das profissões e atividades reconhecidas mundialmente e das mais bem remuneradas. A área da Gastronomia estuda a preparação do alimento, as bebidas indicadas para cada refeição e os ingredientes na confecção dos pratos. Não é à toa que existem no Brasil 130 faculdades credenciadas e reconhecidas pelo Ministério de Educação (MEC) que oferecem cursos de Gastronomia, entre elas quatro Universidades federais. A Universidade Federal da Paraíba celebrou uma década de excelência, em 2023, da fundação do Curso de Graduação em Gastronomia. Oferece a cada ano 70 vagas com turmas de 35 alunos, cuja demanda é totalmente preenchida. O seu corpo docente é qualificado com titulação de mestres e doutores, especificidade acadêmica e profissional em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Gestão e Produção em Serviços de Alimentação. Possui três vertentes: Gastronomia e Cultura, Ciência e Tecnologia dos Alimentos e Gestão em Gastronomia. Os egressos do curso saem preparados para atuarem na gestão de empreendimentos gastronômicos, incluindo restaurantes, bares, confeitarias, buffets e similares. O profissional formado é chamado de gastrólogo ou “chefe gourmet”.

Ressalte-se que a gastronomia em qualquer lugar representa a maior expressão cultural de seu povo. Esteve desde a antiguidade influenciando questões sociais e políticas. Constata-se, como exemplo, o descobrimento do Brasil que se deveu aos descobridores estarem em busca de especiarias para comercializar. Ela é interdisciplinar e encontra-se vinculada à história, sociologia, economia, nutrição e até à tecnologia. Pode-se citar as comidas de milho do Nordeste que caracterizam a cultura e uma época de festas religiosas de São João e São Pedro, a pizza napolitana, da Itália; o pão folha consumido na Ásia Ocidental; e o acarajé, prato regional da Bahia, e por aí vai…

Fiz essas considerações preliminares   porque conheci Cibele, uma moça de 49 anos. Ficou órfã de pai aos 15 anos. Sua mãe teve cinco filhos, não trabalhava. Possuía o ensino médio e chegou no início a ser professora do Mobral. Ainda hoje atua e trabalha em seu artesanato. Seu pai só estudou até a quarta série primária, mas aprendeu o oficio com seu avô de lidar com motores de alta tensão. A vida inteira trabalhou no ramo da eletricidade, notabilizando-se por sua competência e douto saber e virou empresário. Sua mãe era doméstica e, por ser muito bonita, seu pai, ciumento, nunca permitiu que trabalhasse. Quando casaram foram morar numa fazenda chamada de Santo Antônio, no Estado de Pará. Foi aí onde Cibele passou seus primeiros anos de vida. No começo a família era muito humilde e em várias ocasiões sua mãe ajudava enrolar motores, mas como seu pai era um expert no que fazia, foi progredindo e chegou a ir para Salvador e a montar sua própria empresa. Cibele passou sua primeira infância e adolescência em Salvador, capital do Estado da Bahia.

Durante esse tempo, até aos 13 anos, em Salvador, sua mãe, já se afeiçoada ao artesanato, frequentava cursos e levava Cibele, como ela fala: “Eu me comportava muito bem e também havia muita cumplicidade com minha mãe, por ser mulher e já entendia alguma coisa. Porém desde ali interessava-me por tudo que minha mãe ia fazer. Tanto que recordo que aos 9 anos eu no colégio participei de uma gincana e a lembrança do evento foi feita por mim e minhas colegas. Eram flores de parafina ensinadas por mim, muito lindas! Meu pai vivia bem pois a empresa dava lucro, porém com a vida mais folgada financeiramente ele enveredou no vício de jogar carteado e gastar com mulheres, o que nos causava incerteza e insegurança quanto ao nosso futuro”. Sua mãe, vendo que seu esposo não tinha perspectiva e nem estabilidade financeira, deslumbrando a situação futura, escondida de seu pai, fazia peças de artesanato e bonecas de pano que eram bem-feitas e elogiadas por todos que as adquiriram. Ela tinha uma amiga que morava em frente à sua casa e era possuidora de pequena loja, então, com a amizade desta senhora, conseguia colocar os produtos que fabricava para vender. Os produtos tinham boa aceitação, o dinheiro que juntou escondido de seu pai deu para comprar uma casa de conjunto, que era projeto do governo, chamado Embrião, no interior da Paraíba, onde tinha suas raízes e todos os parentes. Foi a visão futurista da sua mãe que salvou a família de um destino mais trágico. Os recursos eram poucos, mas quando ia fazer feira esforçava-se para economizar ao máximo, para que sobrasse alguma coisa e pudesse adquirir o material de seu artesanato. Tanto que com a morte de seu pai, após dois anos da chegada a Salvador, ela, com 35 anos ficou numa situação caótica: tinha estudado só até a quinta serie primária, não trabalhava, com cinco filhos e a mais velha era Cibele com 15 anos. “ Nós não ficamos ao desamparo pois foi nessa casinha que toda família se estabeleceu”. Sua mãe caiu na luta a trabalhar no que podia; costurar, confeccionar calcinhas, fazer artesanato e isto deu uma sustentação às necessidades básicas da família. Uma coisa que aprendeu com ela foi o dizer: “ tem que estudar! Tem que estudar! Mas meu pai nunca a permitiu. ”

Com a morte de seu pai Cibele e a família experimentaram dias difíceis, mas sua mãe, com os produtos de artesanato que fazia e o emprego que conseguiu na Prefeitura em uma cidade do interior da Paraíba, Cacimba de Dentro, apesar de parcos recursos, sustentou toda família e como afirmou: “ nunca deixou faltar nada em casa”. Cibele diz que a gastronomia e o artesanato sempre estavam no sangue porque sua genitora gostava de cozinhar e fazer comidas diferentes, chegou a realizar alguns cursos dados por senhoras conhecidas e conseguia trocar uma peça do artesanato por um curso. Também consultava receitas de revistas. E quando ia à cozinha inovava, embora a comida fosse simples era elaborada de forma diferente com muito bom gosto, que a tornava mais saborosa. Uma vez um suflê, um pão de ló, biscoitinhos amanteigados, assim por diante. Tanto que logo cedo, com nove anos, em casa de uma tia, passando férias, fez seu primeiro prato, que foi uma cartola.

Cibele desde sua infância foi conduzida de forma espontânea ao artesanato e à culinária pelos quais despertava muito interesse. Numa ocasião conta que sua mãe fez uns jarrinhos pequenos de cerâmica e deu tinta nas cores laranja e branca para ela pintar com uma técnica inovadora. Naquele momento, sentiu que sua mãe percebeu seu gosto pelo artesanato. Foi a primeira peça que lhe foi dada para fazer. Outro aspecto que ressalta é que a ligação entre a culinária e o artesanato trouxe uma intimidade maior entre mãe e filha o que imagina ter ajudado no entendimento e na compreensão do temperamento de sua mãe. Recebeu sempre o estímulo de tias, irmãs de seu pai, o que constituía uma família de 14 filhos. Duas das tias solteironas moravam com os avós paternos. Eram chamadas de banqueteiras, porque organizavam banquetes e festas. Promoviam esses eventos e demostravam habilidades na arte de cozinhar e fazer iguarias. Uma delas, muito conhecida na região, ainda hoje faz docinhos com leite em pó com rostinho de boneca, parecendo porcelana, semelhante a uma daminha ou camafeu, verdadeira obra de arte, além de decoração em bolo com glacê.

Já empregada na Prefeitura, sua mãe estabeleceu camaradagem e conhecimento com muitas pessoas e continuava a fazer artesanato. Isto vislumbrou a possibilidade de expor os produtos na feira da cidade. Toda família ajudava a confeccioná-los: encher uma boneca, colocar o cabelo etc. Os filhos contribuíam, quando ela não podia estar presente, já que tinha que trabalhar na Prefeitura. Conseguiu a concessão de expor seus produtos na festa da padroeira e montou uma barraca por 30 dias, e Cibele durante o dia ia para a escola e à tarde e à noite lá ficava até fechar altas horas. Voltava sozinha para casa. Expressa: ” com meus 16 anos conheci Fernando, meu esposo, estudávamos juntos, fazíamos o ensino médio. Com 18 anos engravidei e meus sonhos de continuar os estudos foram de água a baixo porque não podia conciliar as funções de mãe e dona de casa. O mesmo aconteceu com meu esposo que teve que deixar o estudo para trabalhar. ”  Moravam com a mãe. O que ganhavam era para suprir as necessidades imediatas e pagar a conta do mercado onde a dívida era acumulada durante o mês. Após quatro meses de ter tido o primeiro filho tornou a engravidar de gêmeos. Diz: “Eu me encontrava totalmente despreparada, sem controle emocional. Foram momentos amargos. Então, aos 19 anos, eu encontrava-me com três filhos e na mesma situação de penúria em que o ganho de meu marido era para satisfazer a demanda da casa. O que eu podia mesmo fazer era ajudar minha mãe no artesanato para complementar a renda da casa e porque, para mim mesma, não tinha a menor condição”.  Por mais que sua genitora falasse e aconselhasse, mas o calor da juventude e os seus impulsos eram maiores e não dava para controlá-los. As dificuldades perduraram por muito tempo e foi quando seu marido, que era muito estudioso, acostou-se a uns primos que possuíam computador e conseguiu com ajuda deles a dominar a tecnologia da computação. Na época era raro, estava ocorrendo o surgimento da informática.

De posse do conhecimento tecnológico Fernando arranjou um emprego numa grande loja na capital. Daí por diante tudo foi melhorando. Esforçado, sempre estudando, conquistou um emprego, mas a família não pôde acompanhá-lo. Essa situação durou três anos. Durante esse período visitava a família quando podia e procurou investir nos estudos. Após esse tempo, ele veio buscar a família. A empresa em que trabalhava assumiu os custos da mudança, pagamento da casa e procurou facilitar, pois Fernando se destacava como bom funcionário e os patrões acreditaram nele e em seu futuro. Cibele dedicava-se ao lar e aos filhos, mas sentia falta de ter uma ocupação remunerada, isto a incomodava. Na cidade não conhecia ninguém e por isso procurou fazer amizade com os vizinhos. Nas proximidades de sua casa havia uma pequena padaria e ela percebeu que não vendia bolos e só fazia pão. Então Cibele se ofereceu para fazer bolos e assim começou a confeccioná-los sob consignação. Diz: “era pouco mas para quem não tinha nada representava muito”.

Cibele e Fernando tinham parado de estudar, mas ambos reconheciam que sem o estudo não iam chegar mais longe como almejavam. Com esse objetivo matricularam-se numa escola perto de sua residência. Ela estava prestes a fechar, só havia 18 alunos. Fala: “na escola fiz amizade com os professores e lá recebi muito estimulo por parte de todos e hoje constato que foram eles que abriram meus horizontes. Lembro da escola com saudades e reconheço o bem incalculável que proporcionou em nossas vidas. Eu estudava à tarde juntamente com meus filhos, a aula deles terminava às 16:30 e a minha às 17:30, tanto que no intervalo de uma aula para outra eu corria e ia buscá-los na escola e rápido retornava para não levar falta e assim ocorreu durante um ano. Meu esposo estudava à noite, isto para conciliar e alguém ficar com as crianças. Durante o ano seguinte aconteceu a morte de meu irmão e a minha mãe não quis mais ficar na casa, então veio morar comigo, ela e minha irmã, uma das gêmeas porque a outra já havia casado. Na companhia de minha mãe tudo ficou mais tranquilo porque eu podia deixar as crianças com ela e assim eu e meu esposo podíamos terminar o ensino médio”.  O estabelecimento de ensino promoveu uma festinha de entrega de certificados. Cibele não tinha roupa para comparecer. Teve que pedir emprestado um vestido a uma colega.  Cada um levou um pratinho e a escola organizou a cerimônia de entrega dos certificados. Cibele ficou feliz e satisfeita pois entendia que era através dos estudos que iria mudar o rumo de sua vida e tinha certeza que alcançaria voos mais altos, por isso nunca desistiu.

Ao terminar o ensino médio prestaram vestibular, só que os exames foram anulados por irregularidades no sigilo da prova, tendo sido aprovada em 14º lugar para o curso de licenciatura em Filosofia, isto no ano de 2004, o que a deixou muito feliz. A escolha foi influenciada por uma tia do seu esposo, Mércia, professora da Universidade, que a admirava muito. Quando vinha a capital, hospedava-se em sua casa e gostava de conversar com ela sobre filosofia, poesia, literatura. Aquele momento, diz: “ era lindo e deixava-me encantada. Era apaixonada por aquelas conversas. Mas ao vislumbrar formar-me em filosofia eu achava um mundo tão distante para mim, quase inatingível, por uma série de dificuldades que tinha”. Foi a primeira mulher na família a passar num vestibular. Por não ter renda ficava difícil se manter, às vezes precisava xerocar documentos, tinha que pagar, e aí deixava de usar o ônibus e andava a pé. Era um sacrifício muito grande, mas que não a fazia desanimar. Constatava que tinha colegas em situação pior que a dela. Foi aí que começou a fazer artesanato: fuxico, crochê, boneca de pano e outros. O artesanato ajudou muito já que não poderia ter um emprego fixo. À época obteve a carteira de artesã, tendo sido uma das dez primeiras artesãs a adquiri-la. Nessa situação, viveu quatro anos em cidade do interior, foi quando terminou o curso e voltou para capital. A avaliação que ela faz é que o Curso de Filosofia abriu muito a sua mente, incorporou cultura, mas não conseguia emprego, porque só existia uma possibilidade, a de ser professora e as vagas já estavam ocupadas.

Com o continuar da vida sentiu-se decepcionada, desestimulada e com baixa estima. Engordou muito. Vivia num verdadeiro marasmo, o que não era de sua índole. Mesmo assim entendia que só através do estudo poderia mudar de vida. Não naquele momento, mas tinha certeza que viria outro. Haveria de tentar. Ficar como estava não era mais possível.  Reconhecia que tinha capacidade técnica e científica de alcançar mais e sair daquele contexto. Nessa ocasião apareceu o edital de um concurso no Município vizinho, na área de educação, para merendeira. Cibele diz; “Das opções que o concurso oferecia o que eu sabia fazer era o de cozinhar.  Como não havia chance no que me formei, Filosofia, vou enfrentar esse desafio. ” Parada é que não vou ficar”. E assim foi. Entendia que o salário fixo seria uma base para me sustentar. Tomei posse em 2014. Não conhecia o cotidiano da merendeira, mas fui executando as tarefas do dia a dia. Ressentia a falta de alguém que a orientasse. Tudo era feito na improvisação. Caminhei procurando dar o melhor de mim e de minha criatividade, na culinária, já que tinha experiência como dona de casa, curiosa de novos cardápios”.

Ao completar nove meses como merendeira submeteu-se a novo vestibular. Fez o Enem para a área de pedagogia, aprovada em segundo lugar e em 25º para Letras, porque achava que nesse campo teria mais oportunidade de concurso e emprego como professora. Conta ela que pouco depois de ter efetuado a matricula surgiu a abertura de vestibular especial na área de Gastronomia. Quando viu aquela notícia deslumbrou o que sempre sonhou e que estava impregnada em seu sangue e constatou que não era a filosofia, nem pedagogia e muito menos Letras, seria a Gastronomia. Por toda sua vida foi sempre o desejado. Determinada, prestou vestibular e ficou entre as 15 primeiras, muito bem classificada. Inicia-se uma nova jornada na vida de Cibele. Considerou que a existência desse vestibular extraordinário, era um chamado da Providência Divina porque diz ela que “a culinária e o artesanato, desde de sua infância, faziam parte de sua vida”.

Acrescenta: “Aqui foi um divisor de águas em minha vida. Lá encontrei outras merendeiras, pessoas humildes, mas que exerciam seu papel de merendeira com muita dignidade, embora sem nenhuma inovação para fazer algo diferente, limitavam-se ao cotidiano.  Eu me sentia útil e dizia comigo: Isto aqui vai ser o primeiro degrau para alçar outros voos”.  Amava o que eu fazia, apesar de falar que as pessoas não valorizavam essa profissão. Continua: ”muitas crianças que não vinham se alimentar antes, porque não gostavam da comida, retornaram a frequentar o restaurante de modo que não sobrava nada. A realidade é dura, às vezes para essas crianças era a única alimentação substanciosa que faziam durante o dia. Fiquei chocada com aquela situação e fui desafiada. Pensei: tenho que sair da zona de conforto e mudar aquela realidade. Empreguei o que aprendi na Universidade, os objetivos da gastronomia eram unir de maneira harmoniosa diferentes sabores e odores, provocando uma sensação de plena satisfação por todos os sentidos: olfato, paladar, visão e tato. Foi assim que procedi. Fiquei conhecida no munícipio, a merendeira da escola tal. Por que? Eu transformava o básico que vinha de mantimento para merenda em um banquete, inovando, fazendo a alimentação mais saborosa e gostosa.  A comunidade escolar como um todo comia a merenda. Assim eu me realizava. Eu exercia meu trabalho com todo amor e dedicação e ganhei estima de todos, principalmente dos alunos. Este momento eu considero um dos mais importantes da minha vida. Além de me realizar eu sentia no concreto a minha contribuição, fato que me enchia de satisfação e me incentivava. O prefeito tomou conhecimento e, nos grandes eventos da cidade, jantares e coquetéis ou outras cerimônias, mandava-me chamar.  Sai da escola porque fui aprovada no processo de seleção promovida por uma grande empresa que necessitava de uma chefe de cozinha. ”

Assim aconteceu: “recebi um telefonema de uma professora sobre a escolha de uma chefe de cozinha para atuar na empresa, e que havia sido escolhida, uma vez que a exigência para o cargo era que dominasse o cardápio regional, nacional e internacional, deveria atuar junto ao restaurante que servia aos funcionários e também atender ao restaurante da diretoria uma vez que o empresário e o diretor recebiam executivos de vários recantos do Brasil e do exterior. Dizia a professora que a comissão opinou que seria eu a pessoa indicada por possuir as características dos critérios exigidos para o cargo”. Foi uma grande decisão uma vez que deveria abandonar o cargo efetivo de merendeira do Município, que conseguiu através de concurso e assumir o cargo que ora era oferecido e que não me dava nenhuma garantia ou estabilidade. Não titubeou, de logo decidiu, pois era consciente de sua competência técnica e profissional.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Desejava progredir na profissão e poder plenamente desenvolver o seu trabalho. Ter sido merendeira foi a chance preciosa que a impulsionou ao abrir os caminhos para chegar onde se encontra hoje, como Chefe de Cozinha, dessa empresa. Expressa: “Estou feliz e me orgulho deste título. Eu submeti-me ao processo de seleção para assumir esse cargo”.  Regozijando-se, declara: ” só Deus sabe o que passei para encontrar-me onde estou. A minha vontade é a de mostrar as pessoas que nós podemos conseguir o que queremos, aproveitando as oportunidades e nos relacionando com as pessoas. Ao meu redor tive exemplos e influências de mulheres famosas e excepcionais”.

Cibele largou o cargo de merendeira e adentrou em outra vida com novas perspectivas e outros horizontes, cheia de esperanças de dias promissores. Diz ela: “Agradeço ao Dr. Milton dono da empresa que optou por contratar, através de processo seletivo, profissional da terra, prestigiando a prata da casa, demonstrado, por seu gesto criando o cargo que ora ocupo. Dr. Milton valoriza os aspectos culturais que são expressos pelos alimentos. Sinto-me orgulhosa por ter assumido tamanha responsabilidade de ocupar o lugar que ocupo, pois, olhando a minha linha do tempo, tão sofrida, constato que Deus tem propósitos que nós desconhecemos. A providência divina escutou a minha súplica. Encerro essas palavras que me fizeram voltar ao passado e trazer fatos de minha vida que estavam adormecidos em meu inconsciente, dizendo: se tem uma das coisas que são melhores e mais importantes na vida é o prazer à mesa ocasionado pela comida, eu fico muito feliz em poder possibilitar isto às pessoas”.

O espelho de Cibele é de ser uma mulher guerreira e que não se deixa abater pelas vicissitudes da vida que se apresentaram como desafios, e que, ao contrário, só a estimularam a prosseguir. Possuía como ferramenta de luta o dom e a arte de cozinhar. Desistir nunca. A véspera de completar 50 anos, diz que colocou uma coisa em sua cabeça que está a vislumbrar propósito maior: ainda tem muitas coisas a realizar e alguns outros sonhos a se concretizar. Cibele é um exemplo de que nada se consegue esperando que as coisas aconteçam, mas sim, que é correndo atrás em busca de alcançar seus objetivos. Em várias ocasiões demonstrou isso, “quando se quer, pode-se mudar o destino”. Ela provou isto.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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