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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Silva, o delirante

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publicado em 31/08/2025 ás 07h00
atualizado em 30/08/2025 ás 21h54

 

Você quer entrevistar, Silva? Sim,  respondia a Ana Prado,  da Perfexx. Já tinha entrevistado o artista desde que ele lançou o primeiro disco cantando Marisa Monte.

Qual é a novidade? O álbum Encantado, lançado nas plataformas em 2023, ganhou edição em vinil pela Três Selos Rocinante e, como eles dizem nos relesses ´consolidando-se como um dos marcos recentes da canção brasileira´ Eu não gosto muito dessas frases feitas, mas o Silva é um delirante que nem eu.

O disco é lindo. Gostei muito da canção “Risquei você” a sétima faixa, e até lembrei daquela música que anunciava – risque meu nome do seu caderno. Essa canção, não sei se de Ary Barroso, eu ouvia no Rádio Difusora de Cajazeiras (aliás, nunca entendi porque Jatobá, a cidade em que nasci, não tinha uma rádio, mas tinha a difusora, que meu padim Irapuan anuncia as novidades e as tragédias.

Antes do Silva, vamos ouvir ´risque meu nome do seu caderno, pois não suporto o inferno, do nosso amor fracassado. Deixe que eu siga novos caminhos, em busca de outros carinhos, matemos nosso passado.´ Nunca via algo tão atual. Como é difícil matar o passado, como são complicadas as insatisfações e considerações escambau.

Votemos ao Silva. Não, lembrei de outra canção que dizia que dentro do meu livro leitura, encontrei um bilhetinho que você deixou parta mim – aquele bilhetinho apaixonado, que dizia estar gamado” – algo assim. Deixa pra lá.

A canção do Silva é mais delirante “Você finge tão bem como aquela atriz, eu disfarço os trejeitos de aprendiz. Se eu pintar outro céu vou virar Gaudí, ou Tarsila nos traços de um delirante, risquei você com pincéis de Dalí, mas vivo no inferno de Dante. É demais, né?

Isso dele dizer no inferno de Dante, que eu já passei e voltei, mas, de vez em quando, piso no paraíso e me iludo, sem ficar a dizer – minha culpa, minha máxima culta, porque na verdade, eu já não corro demais só para te tiver gozar junto. Ah! Cavalgada!

O Silva é foda. Não por citar o céu de Gaudí, cujas torres já estão na canção de Caetano, Tarsila, Dali, por diante, digo Dante. Um excelente compositor e tem voz linda, o Silva é destaque, porque ele consegue riscar o nome com mais leveza, mais Gonzaguinha, mais Maria Bethânia: ´Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda, é apenas o meu jeito de viver, o que é amar´.

Vivemos a sonhar com as estrelas, que nem contamos mais nos dedos, porque estamos todos fodidos, estressados, alvo de invejosos,  cegos com mil publicações banais, vidas expostas, uns doentes, outros cansados, acabados, desaparecidos; somos anjos exterminadores, orientados por anúncios luminosos…  e do chão, não passamos.

Vislumbro alucinados na morbidez deste barato, de um barato qualquer, porque navegar é precioso; as viradas pesadas, um dia atrás do outro e uma noite no meio, nos transportando para visíveis malícias, nossa preguiça e contradições. O nonsense, a  besta fera e outras bestas

Outro dia falo mais do Silva, que é mais delirante que eu. Salve, Silva!

Kapetadas

1 – Domingo é uma pré-segunda. O dia todo em função do dia de amanhã.

2 – O voto impresso está querendo voltar. Só falta o telégrafo para transmitir os resultados

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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