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O filho de João Euclides Teixeira e Lucíola Cavalcante Teixeira nasceu na cidade do Iguatu, Ceará, e, logo com 6 anos de idade já demonstrava suas aptidões artísticas, pois aprendeu a tocar “musette”, uma versão da gaita de foles, como também aprendeu a tocar flauta e bandolim, isto através da orientação e ensinamentos do seu tio Lafaiete Teixeira que era maestro.
Já com 13 anos, o poeta de Iguatu orgulhava seus pais ao editar uma composição intitulada “Miss Hermengarda”, ocasião em que participava da orquestra que musicava os filmes mudos exibidos pelo Cine Majestic, na capital da Luz – Fortaleza. Aos 15 anos foi para o Rio de Janeiro, onde radicou-se e surpreendentemente aos 18 anos com a música “Meu Pecadinho” fora premiado pela Revista O Malho ao participar de um concurso de músicas carnavalescas.
Humberto no ano de 1943 formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da UFRG, ocasião em que já era um compositor requisitado, já tendo escrito sambas, marchas, xotes e sambas-canções e toadas. Mas foi ao encontrar Luiz Gonzaga em 1945 que emergiu uma das maiores parcerias do Brasil. Eles criaram o Baião, além de canções como Asa Branca, Assum Preto, Légua Tirana, Juazeiro, dentre tantas outras. Humberto também fez algumas músicas que foram sucesso nacional na voz de outros grandes nomes da música brasileira, como a canção Kalu, consagrada na voz de Dalva de Oliveira.
Já da parceria com Sivuca temos a música “Adeus Maria Fulô” que foi sucesso na voz da Rainha do Baião, Carmélia Alves.
Em 1954, tornou-se Deputado Federal eleito pelo Estado do Ceará. O grande advogado, tribunal por excelência, letrista, agora também se tornava político e na Câmara dos Deputados destacou-se como autor do projeto que fora transformada na Lei que regulamenta os direitos autorais no país, por isso, a mesma é conhecida como a Lei Humberto Teixeira.
Eleito por três vezes o melhor compositor do Brasil, o poeta do Iguatu resistiu muito ao casamento, já que levava uma vida de boemia, curtindo a noite do Rio de Janeiro, até que encontrou uma moça que balançou seu coração, Margarida Pólis, natural de Bauru-SP, uma grande pianista, com quem se casou e viveu maritalmente por 6 (seis) anos e com quem teve uma filha a atriz Denise Dumont.
Após o fim do casamento, Humberto passou a viver novamente, como dizia: sua liberdade, a boemia e nunca mais a soltaria.
Consagrado como o maior parceiro do Rei do Baião, nos deixou aos 63 anos de idade, no dia 03/10/1979, após um enfarte. O Doutor do Baião, nome dado por Gonzaga ao poeta do Iguatu, depois de sua morte virou canção na parceria com João Silva, com a seguinte letra:
Onde tá meu grande irmão
Onde é que tá
Quanto tempo, que saudade
Que você me dá
Quanta falta tá fazendo, irmão
Ao nosso baião
Tudo que você criou
Que você deixou
Inda pedem pra eu cantar
Pros cantou que eu vou
Asa branca, Assum Preto, irmão
Doutor do Baião
Vivo curtindo o acre do jiló
Tão doce prá nós dois
E amargo pra mim só
Ai que saudade
Poeta do Iguatu
Ó quanta tristeza
Fazer baião sem tu
Em 2008 o cineasta Lírio Ferreira dirige o documentário intitulado “O homem que engarrafava nuvens”, produzido por sua filha Denise Dumont, tendo estreado naquele ano no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.
Humberto é o próprio Baião, foi quem direcionou a carreira de Gonzaga para o mundo regional, para os ritmos nordestinos, abriu as portas da Guanabara e do Brasil para a passagem do Baião, do Xote, Xaxado, do Forró e todo o mundo gonzagueano. É certo que Gonzaga teve outros parceiros, posteriormente, que lhe permitiram a continuidade de sua Saga, mas, é preciso dizer que foi ele, Humberto Teixeira, o precursor de toda essa trajetória.
Merece ser melhor conhecido pela nação brasileira. É um trabalho árduo, mas não podemos nos silenciar, devemos sim gritar ao mundo sobre a importância do poeta do Iguatu para a história da música brasileira.
Viva o Doutor do Baião!!!!
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 16/12/2025





