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Orgulho-me de ter sido preposto da Polícia Federal Brasileira por cerca de trinta anos. Nesse tempo vi a instituição crescer muito, não só no que se refere ao quantitativo dos policiais e servidores do quadro de apoio, como em todos os aspectos. Passou a exigir formação de nível superior a todos os seus policiais; aprimorou os treinamentos; adquiriu armas e equipamentos de última geração; modernizou, humanizou e aprimorou os métodos de investigação; adquiriu viaturas mais confortáveis e possantes, dentre outros requisitos para um trabalho policial de excelência. Tudo isto, com o fim específico de ser mais eficaz no combate à criminalidade no país.
Também devo registrar que iniciativas similares foram tomadas pela Polícia Rodoviária Federal, as Secretarias de Segurança Pública dos estados brasileiros e entidades municipais congêneres. Contudo, para minha tristeza tenho notado que, mesmo as Polícias tendo melhorado significativamente os seus equipamentos, métodos e estratégias, também é fato que os criminosos e suas ações deletérias cresceram em progressão geométrica, e em níveis bem mais expressivos que aqueles do aparelho repressor estatal.
Se a cada dia nos surpreendemos com o crescente e significativo número de apreensões de drogas ilícitas, material contrabandeado, descobertas de desvios do dinheiro público etc., da mesma forma, a audácia dos criminosos em suas ações nefastas, não deixa dúvidas que estamos navegando em mar revolto, e sem perspectivas de águas tranquilas, pelo menos em curto prazo.
Os avanços tecnológicos facilitam muito o trabalho das polícias e aparelho repressor estatal como um todo, mas, infelizmente deve-se reconhecer que tais avanços e facilidades também são utilizados pelas organizações criminosas para alavancarem e aprimorarem suas ações nefastas e destrutivas. Não é nenhum segredo, que estas empresas do mal têm se infiltrado cada vez mais nos diversos segmentos do poder público minando e enfraquecendo a máquina estatal e, consequentemente, a paz e a justiça social.
Desta forma, o poder estatal brasileiro tem demonstrado, com certa frequência, fragilidade, ineficiência e, consequentemente, injustiça nesta batalha pela paz e harmonia social, seja por “omissão dolosa” ou por cooperação direta de alguns agentes públicos, inclusive integrantes das cúpulas dos poderes da República Brasileira, com as ações criminosas, o que gera um descrédito extremamente perigoso da população com as autoridades públicas constituídas.
Mesmo admitindo que a grande maioria dos servidores e agentes públicos continuam empenhados em trabalhar pelo bem da sociedade, não há como negar que a cada dia, o crime organizado no Brasil, aumenta seu poder e, por conseguinte, seus danos à sociedade, infiltrando-se, como já citado, cada vez mais, nos três poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário – invasão esta que atinge as esferas municipal, estadual e federal.
Assim sendo, infelizmente, desesperançados, alguns cidadãos e até autoridades constituídas, parecem preferir a opção de “jogar a toalha” e desistirem de lutar contra estes nefastos e poderosos criminosos, permitindo que a legião de malfeitores continue a corromper pessoas e autoridades públicas, destruam esperanças e princípios não só de pessoas, mas de toda uma nação, desestruturem famílias e eliminem combatentes que se atrevam a impedir ou atrapalhar suas ações nefastas e ilegais.
Esse conluio de alguns integrantes dos altos poderes da república, seja por ação ou omissão, com a criminalidade, facilita e acelera o poder dessas organizações criminosas, que se locupletam rapidamente e ampliam seus poderes, exercendo cada vez mais um poder paralelo a enfrentar e ocupar espaços legalmente pertencentes ao poder público.
É preciso que a legião do bem, que é maioria esmagadora, não perca as esperanças e continue agindo resistentemente no combate aos criminosos, independente do status social e ou do poder constituído destes. E, para tanto, essa legião benfeitora precisa do estímulo, da confiança e do apoio de toda a sociedade, pois só com esta união e parceria da população ajudando a fortalecer as instituições públicas separando “o joio do trigo”, o país poderá voltar a viver com esperança, justiça, democracia e paz social. Como bem reza um conhecido provérbio inglês: “uma sociedade só tem chances quando os homens de bem têm a mesma ousadia que os corruptos”.
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