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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

O carnaval dos sonhos

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publicado em 08/02/2026 ás 07h00
atualizado em 08/02/2026 ás 08h27


Descansadão. 
Vamos começar por aqui? Suavidade que maltrata a quem vive na ferradura. O Brasil desopila, na voz do artista gaúcho Deluse, que joga pedra no ´Descansadão´, nome do single de seu novo disco ´Piment, que sairá em março, quando, enfim, no dos outros não é mais refresco. Onde andará o enfezado?


A Geni d
o Chico teve um troço, depois de brigar com uma das raparigas, que ele deixou na Ilha do Bispo. Se o Pelé disse love, love, love, eu não sei escrever sobre a laranja inteira, sem a outra banda, a laranja que não é mais mecânica, porque o algoritmo sinalizou carnaval.

O que o Brasil é
o país do carnaval,  todo mundo sabe – uma caipirinha, tripa assada, mas falta dramin rivotrio nas farmácias – a moçada deixada para trás por Anchieta Maia, bate os tambores de Ogum, para não largar o esternocleidomastóideo dos pais – mas ainda não é o fim, tem o quadrado da hipotenusa que é igual à soma dos quadrados dos catetos.
Ninguém fez melhor que o artista Deluse. Ah! Você não conhece? Ele foi no ponto G do bagaço, o caroço e o suprassumo da linguagem mortífera. É melhor sumir, né?Olha ali o cachorro Orelha (que vai virar Lei) morto por adolescentes endiabrados, um magote de vagabundos. Em cada foto do cão Orelha há uma pergunta: foi para isso que vocês inventaram a civilização?

Um grupo chega de buzão, dar boa noite e vai plantar pacovan em Bananeiras. Haja curtição. Ué, levaram o Maduro para a lua? Ou mandaram para a tonga da mironga do kabulete? Ah!, Ia esquecendo, Wagner Moura e Kleber Mendonça (foto) viraram bonecos de Olinda. 

O Brasil não vive em paz. O cara sai de casa e não se sabe volta. Na calçada da minha casa, jovens fumam maconha e me chama de tio. Na rua,  matam os cães,  em casa matam as mulheres e não são sequer um produto civilizatório.

Na ladeira da Avenida Beira Rio, homens idosos de topless jogam porrinha e dão gargalhadas com o Felipe Medeiros, blogueiro paraibano, que vive dizendo que o cantor João Lima deu calote no baterista da banda podre da terra. Já a médica chorona, quando influencer, não sabe chorar, que tem ensaiar, meu nego.

Outro dia vi Kant na jogada. Alta costura. Cadê meu blazer de batalha? O torcedor do mengão pega aquele momento em que o futebol estava se compreendendo, se especializando, de um hiperdimensionamento técnico, aquela coisa pós-Vasco. Detesto futebol e os papos, hein? Tudo é efeito, é truque, até a bola cuspida pelo gato.

O Brasil parece possuído, como se injetasse no povo uma engrenagem demoníaca da sofisticação, da falta de consciência, da falta de cultura, da falta de respeito, da falta gás, daí surge um funk melódico: “Segura a prexeca que a galera tá na beca”

Gente que lida com a força bruta, até tu Brutas? Fracasso é chorar ouvindo música triste em um fone vagabundo que falha do lado esquerdo.

Chuva no carnaval, na quadrilha, olhe a cobra, olhe a chuva, e os novos médicos fantasiados fazendo o teste da goma.

Com o efeito bambolê, o Brasil não vai conseguir sair do atoleiro, mas se mudar me avisa, antes tenho que me confessar com padre Egídio, que sumiu da mídia. É tu nada, estrela?

Kapetadas

1 –Por que quem não faz p* nenhuma se incomoda tanto com quem faz alguma coisa? A resposta está na pergunta.

2 – Nunca houve tanta gente comendo fora: fora do prato, fora da mesa, fora da cozinha

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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