João Pessoa, 07 de fevereiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Em ano eleitoral, o poder público costuma fazer uma descoberta tardia: o povo existe. Ah! Mas estamos no carnaval. Não é por aí.
E quase sempre percebe isso em fevereiro. Já dizia um folião – o importante é ser fevereiro. Como assim?
O dinheiro aparece, a palavra “cultura” ganha destaque e o Carnaval vira prioridade. Haja foliões misturados, ricos, pobres, politicos e coitados.
A rua, sabe a rua, vira vitrine, o povo vira cenário. Não por consciência, mas por conveniência. Ou pra tudo se acabar na quarta-feira. Ué, mas ainda não é carnaval!
Aqui em João Pessoa, sim, na Bahia o ano todo e em Pernambuco, nem se fala. Deixa o povo se divertir e se permitir ser iludido.
Não se trata de criticar o investimento na festa, Carnaval precisa de recursos, respeito e continuidade. O problema é o entusiasmo passageiro. O amor que dura até o último bloco e desaparece junto com o confete varrido da rua. Eita, neste sábado tekm Baratona!
Em João Pessoa, a festa acontece apesar disso. Sempre aconteceu, porque o povo daqui aprendeu que alegria não depende de favor nem de mandato. Carnaval não nasceu em gabinete. Nasceu da necessidade de respirar num país que aperta o dia inteiro.
O riso ajuda, mas não apaga a memória, sequer o liseu.
A música embala, mas não engana. “Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô / Mas que calor, ô ô ô ô ô ô”
Quem aparece agora, sorridente, costuma sumir quando a pauta deixa de render foto. Fevereiro passa. Março cobra. Outubro tem eleições.
E o povo com seu estandarte, esse observa. Bora cuidar?
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
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