João Pessoa, 24 de março de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
Educador físico, psicólogo e dvogado. Especialista em Criminologia e Psicologia Criminal Investigativa. Ex-agente Especial da Polícia Federal Brasileira, sócio da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas e do Instituto Brasileiro de Justiça e Cidadania. Autor de livros sobre drogas.

Dicas que ajudam a abandonar o uso indevido de drogas

Comentários: 0
publicado em 24/03/2026 ás 07h00
atualizado em 23/03/2026 ás 20h24

O uso indevido e abusivo de drogas por grande parte dos seres humanos é um dos maiores problemas enfrentados pela sociedade, haja vista os inúmeros prejuízos que esse comportamento acarreta, não só aos usuários e dependentes destas substâncias, mas também às famílias destes consumidores e à população como um todo.

E, assim sendo, embora eu já tenha escrito num passado recente sobre este mesmo tema, resolvi voltar ao assunto, pois acredito que a massificação das informações é um pilar essencial para a construção da conscientização.

Os motivos que levam alguém a ingressar nas drogas são os mais diversos. Não há como enumerá-los com precisão em um rol finito. E esta diversidade de motivações se constitui numa das dificuldades para a criação de um antídoto educativo eficiente em relação ao problema da drogadição. Pais, educadores, profissionais das áreas da saúde, social etc., sempre relatam a dificuldade que têm para o cumprimento dessa importante missão, ou seja, prevenir e ou persuadir usuários e especialmente dependentes destas substâncias a abandonarem tal consumo indevido.

Sabe-se que prevenir é bem mais fácil que remediar um problema, mas é fato que não existe uma regra infalível de educação, e em relação ao uso indevido de drogas alguns fatores contribuem ainda mais para dificultar esta missão educativa, dentre estes pode-se citar os seguintes:  as drogas em geral, provocam nos seus usuários, mesmo que de forma momentânea, sensações de desinibição, socialização e até prazerosas, transformando assim tais consumidores em presas fáceis, pois motivados pelas citadas sensações, sentem-se estimulados a repetirem tal comportamento; cultura consumista da sociedade contemporânea, estimulada pela mídia e modismos; mau exemplo dos adultos, (ídolos da música, esporte e até mesmo pais), que por vezes usam e até estimulam tal comportamento etc.

É importante admitir-se que o sucesso no abandono do uso indevido de drogas está diretamente relacionado ao empenho, determinação e força de vontade do consumidor, e esta missão nem sempre é uma tarefa fácil para a pessoa, especialmente quando esta já tem a dependência instalada. Tal decisão e ação constituem-se certamente na empreitada mais complexa do processo, pois, mesmo considerando a importância do papel dos pais e profissionais especializados na ajuda da conquista da abstinência, só quem pode parar com o uso, efetivamente, é o próprio usuário-dependente. Portanto, o sucesso desta batalha depende quase que exclusivamente dele. Mas, se este mantiver a determinação, com foco e ações concretas, contando sempre com a importante ajuda dos amigos, não usuários, família e demais cuidadores, o sucesso é plenamente possível.

Assim sendo, ousamos enumerar algumas dicas que, uma vez seguidas, podem ajudar aos interessados a se afastarem das drogas: 1) O momento de parar é agora – Não se iluda achando que agendando uma data futura terá mais sucesso. Amanhã pode ser tarde; 2) Pare o consumo de uma vez – A diminuição gradativa embora utilizada com relativo sucesso por alguns, tem sido infrutífera na maioria dos casos; 3) Uma vez tomada a decisão pare com todas as drogas de abuso – Esta não é uma decisão fácil, mas, uma vez superado o desconforto e ansiedade dos primeiros dias de abstinência, os resultados são bem mais promissores. Isto é importante porque a permanência do uso de uma substância, como álcool, por exemplo, evoca as memórias do consumo da droga principal, desencadeando geralmente “fissuras” (desejos quase incontroláveis de consumir outras drogas). 4) Mude o estilo de vida – Por um determinado período evite a companhia de pessoas usuárias e lugares (bares, restaurantes etc.), em que costumava consumir a droga, pois estes muitas vezes são gatilhos que disparam o retorno ao consumo da substância; 5) Procure opções saudáveis de prazer – É preciso recuperar a sintonia com o mundo “careta”, retornando às antigas formas de prazer, hobbies do período anterior ao uso de drogas, amigos não usuários, e a vida social que não dependa do consumo de drogas e 6) Capriche nos cuidados pessoais – Aparência, alimentação saudável, exercícios físicos, esportes, espiritualidade (igreja / religião), etc. Estas são alternativas prazerosas, que produzem bem estar, pela liberação de neurotransmissores como as “endorfinas”, por exemplo, ajudando assim a controlar a ansiedade, o que facilita a manutenção da abstinência.

Por fim, é importante reforçar que, muitas vezes, o usuário não consegue sucesso em sua luta solitária, ou apenas com o apoio da família, que na maioria das vezes também está adoecida pelo trauma e envolvimento emocional com o parente drogadicto. Assim, é hora de procurar ajuda de entidades cuidadoras como os CAPs-AD (Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e outras Drogas), comunidades terapêuticas, grupos de autoajuda, amigos não usuários, líderes religiosos, e profissionais especializados (psicólogos, médicos), etc. Esta ação de pedir ajuda o quanto antes é muito importante, haja vista que a dependência química é uma doença progressiva.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

[ufc-fb-comments]