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Educador físico, psicólogo e dvogado. Especialista em Criminologia e Psicologia Criminal Investigativa. Ex-agente Especial da Polícia Federal Brasileira, sócio da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas e do Instituto Brasileiro de Justiça e Cidadania. Autor de livros sobre drogas.

O AUMENTO DO CONSUMO DE DROGAS NO CARNAVAL

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publicado em 10/02/2026 ás 07h00
atualizado em 09/02/2026 ás 20h04

Com a proximidade do carnaval decidi replicar este tema, a pedido de alguns leitores e amigos. O Carnaval é uma das festas mais tradicionais do Brasil, atraindo milhões de foliões nacionais e internacionais em busca de diversão e celebração. No entanto é também um período em que o consumo de álcool e outras drogas, lícitas e ilícitas tende a aumentar, trazendo a reboque um significativo aumento das violências e danos pessoais e à saúde pública como um todo.

É comum, e culturalmente aceito pela sociedade brasileira, que em períodos festivos, a exemplo do carnaval, muitas pessoas se excedam no consumo de substâncias psicoativas e, assim sendo, sob os efeitos das drogas, mesmo aqueles indivíduos responsáveis e ordeiros, por vezes praticam atos antissociais condenáveis e até mesmo crimes violentos.

É importante lembrar que, geralmente, os danos relacionados ao consumo exagerado de álcool e outras drogas não fica restrito aos desvios de comportamentos e ou ilicitudes, mas também traz consequências ao organismo do usuário, à harmonia familiar, à convivência social e à saúde pública em geral. Dentre os efeitos adversos à saúde dos usuários os mais comuns são: desidratação, comprometimento da coordenação motora, diminuição da noção de tempo e espaço, dos freios éticos, morais e sociais, o aumento da impulsividade e agressividade e, consequentemente, dos atritos e violências. Acrescento que, drogas como o álcool, por exemplo, que é a mais consumida em quase todo o mundo, atua como um depressor do sistema nervoso central, o que pode desencadear problemas de saúde mental, como a ansiedade e a depressão, especialmente em jovens e ou indivíduos em geral que já são possuidores de vulnerabilidades genéticas a esses transtornos.

É comum também que, sob a influência do grupo de “amigos”, e da euforia dos festejos carnavalescos, muitos foliões consumam várias substâncias consorciadas: álcool, energéticos, cocaína, inalantes (loló, lança-perfume), maconha, drogas sintéticas (êxtase, LSD) etc. Este cruzamento de drogas é extremamente danoso e pode ser fatal ao organismo desses usuários.

Além das bebidas alcoólicas, os inalantes em geral, culturalmente, são muito consumidos pelos foliões, dentre estes, as substâncias já citadas, “loló” e “lança perfume” são as mais comuns. A primeira, feita de forma artesanal, é composta de um aglomerado de essências (éter, acetona, desodorantes e ou outros produtos químicos, comumente utilizados como removedores e ou na limpeza doméstica), vai depender da criatividade do fabricante. A outra substância inalante, culturalmente muito consumida nos carnavais brasileiros é a chamada “Lança-perfume”, que se constitui em um odorizador de ambientes, e também contêm na sua composição, solventes diversos, gases e essências, cujo princípio ativo principal é o cloreto de etila, (cloretila). A adesão dos foliões ao consumo de lança-perfume tem como motivação principal a capacidade que tem este composto psicoativo de produzir euforia rápida. No entanto, tal comportamento de consumo indevido deste inalante, que é depressor do Sistema Nervoso Central, e não é fabricado para consumo humano, poderá causar danos cerebrais permanentes, além de problemas respiratórios e cardíacos graves.

Além das drogas já citadas, tem sido cada vez mais frequente o surgimento das drogas sintéticas. Estas têm se constituído numa preocupação a mais para as autoridades de saúde e da segurança pública.

Entre as sintéticas mais consumidas no Brasil estão: MDMA ou ecstasy e  derivações como a MDA, ambas intituladas pelo pseudônimo “bala”; LSD (ácido lisérgico de dietlamida – 25 e derivados, também conhecida como “doce” ou “ácido”; Canabinóides sintéticos K2, K4, K9, K12 etc), também conhecidos por “maconha sintética”, pelo fato desta substância agir nos mesmos receptores cerebrais que age o (tetrahidrocanabinol) – THC da maconha, porém são muito mais potentes e danosos; Ketamina, que é uma substância utilizada como anestésico em animais, mas que tem sido usada por usuários de drogas que comumente a batizam por “valium de gato” ou “K”. Mais recentemente tem sido comum o consumo do opioide Fentanil e similares, que são derivados do Ópio. Esta droga é um anestésico, de uso permitido, é muito utilizada na medicina, mas, vem sendo usada de forma indevida para fins recreativos. Esta substância, atualmente, é responsável pela maioria das mortes por overdose em países como: Estados Unidos da América, Canadá, etc.

Portanto, é importante que pais, educadores, o poder público, a mídia e a sociedade civil organizada se mobilizem e empreendam ações que ajudem a bem informar, especialmente o público jovem, sobre os riscos desse comportamento consumista indevido, especialmente tratando-se do uso consorciado de várias drogas. Assim, medidas simples, mas que são essenciais para prevenir e minimizar possíveis danos devem ser adotadas, dentre estas destaco: os cuidados com a hidratação, alternando a bebida alcoólica com água; não consorciar mais de uma substância psicoativa; aprender a identificar os sinais de intoxicação (embriaguez); selecionar bem o grupo de amigos para que uns possam se responsabilizar pelos outros (motorista da rodada ou uso de transporte por aplicativo) etc.

Também é importante que o poder público promova fiscalizações ostensivas e efetivas, coibindo abusos, (menores consumindo drogas, motoristas dirigindo alcoolizados / drogados), pois isto salva vidas e minimiza as violências.

Enfim, desejo que a festa mais popular do país, o carnaval, seja de paz, diversão, alegria, muita diversão e menos violências e danos a todas as pessoas.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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