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Francisco Leite Duarte é advogado tributarista, auditor-fiscal da Receita Federal (aposentado), professor de Direito Tributário e Administrativo na Universidade Estadual da Paraíba, doutor em direitos humanos e desenvolvimento. Na Literatura, publicou os romances “A vovó é louca” e “O Pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de agosto”, um livro de memórias (“Os longos olhos da espera”), e dois livros de crônicas.

Quanto dinheiro a esperança deve possuir?

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publicado em 02/01/2026 ás 17h48

Hoje é sexta-feira, dia 2, mas 2026 ainda não começou. Começará na segunda feira, dia 5, muito embora todos saibam que essa história de fim-início é pura convenção humana.

Pode ser – e decerto é – mas o fato é que esse fechar e abrir de portas faz um bem danado às pessoas. Encerrar ciclos e começar outros, ainda que simbolicamente, liberta; por outro lado, entrega esperança.

Deixemos, então, o ano de 2025 encalacrado em suas intempéries, mas dele há de se comemorar as conquistas, mesmo que as depositemos no recôndito do nosso mais sagrado íntimo. Fortalece o amanhã, aninha a alma, preparando a para o porvir.

Quanto ao ano que se inicia, ainda é um raiar do dia, o nascer do Sol. Sequer são mornas suas promessas. Tudo ainda é brilho e sonho, eis o alvorecer da esperança: espetaculosa e quase revolucionária.

A esperança é caprichosa, como esses rabos de pavão já abertos. Sua função é estar em nós, um fogo crepitando, aceso sempre, ainda que, às vezes, miúdo, labaredas se contorcendo, criando corpo, esse caminhar da energia em direção à corporificação.

No entanto, há milhões de pessoas pelo mundo afora, onde a fome campeia, a doença consome seus corpos, as ruas lhes deixam em insegurança sempre, os sonhos secaram…

Dirão alguns, os adeptos da meritocracia vendida nas esquinas das ideias da direita mundial, que a culpa é individual e que por isso, cada um deve pagar as consequências da própria sina.

Covardes. Sabem que, de onde partiram, largaram em posição privilegiada; hipócritas, sabem que a exclusão social tem origem na alta concentração de renda; sabem que a propriedade privada, sem limitações, é quem mata a esperança de milhões; sabem que os conglomerados financeiros crescem na exploração do trabalho; sabem que o grande capital financia golpes de Estado e políticos extremistas cuja única preocupação é se locupletar da riqueza social.

Mas é ano novo, hora de limitar o excesso de dinheiro nas mãos de uma só pessoa, empresa ou instituição. Esse debate há de começar. Esse é um sonho. Sim, a esperança ainda crepita suas labaredas em caminho da evolução.

@professorchicoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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