João Pessoa, 07 de março de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Vivemos na escuridão

Comentários: 0
publicado em 07/03/2026 ás 07h00
atualizado em 07/03/2026 ás 08h26

 

Agora que todas as classes estão fedendo, nesse “mermo” tempo que nos aprisiona aos escândalos e o biquinho calado, de bandeja chacoalha a podridão, sem uma cor purpura a nos salvar, um tema por ordem alfabética e onde come um, não come dez, sem falar dos miseráveis na fila da bolsa gramática de Paulo Freire.

Vi o impacto do jornalista Clilson Junior – um dos melhores, sobre a freira Nadia Gavanski (82 anos),  que foi estuprada e morta no Paraná, e ninguém fez nada, nem fará. É a escuridão nos cercando.

Da vida desperdiçada em cenas equivocadas, o gosto dos homens por máquinas e pistolas e ninguém mais ocupa o coreto, mas precisa sim, jogar o resto das quentinhas na cara dos caretas.

Vida desesperada de criaturas inconstantes pra ninguém botar defeito, picaretas, babões, motoristas tarados e vacaros malditos, e o que será do nosso amor pelos amigos, essa angústia pela fome que não sentimos, pois, apesar da escuridão, dormimos com o ar-condicionado no friozinho bem-bom.

O medo da pobreza latino-americana sempre nos calcanhares,  nesses anos em que passamos com nossos queixos caídos e já não se sabe se estamos mortos ou vivos.

Politicos, falsos poetas, juristas, zeladores, costureiros, cozinheiros e a mais-valia, conceito central de Karl Marx é muito dinheiro na conta, o vendaval dos bandidos, tapetes voadores; os punheteiros insaciáveis, mas os cínicos não pagam pelas tragédias mentais organizadas.

O salário é mais alto que o escalão do homens do poder, os filhos dos homens do poder e nunca sentem a chibata, porque não funciona no lombo de quem mandou bater.

Respirar pelo nariz, não pra morrer à mingua, sem memória, estuprados, neuróticos, pedófilos – aguenta aí o rojão, que o homem bomba vem aí.

A pobreza latino-americana, odienta,  mosca na sopa, no olho pirata e  lá longe o cheiro de terra contaminada, das fezes nas calçadas, mas não valem o que meu gato enterra.

No chão, o  meu coração partido.

A gente e nada, nada – o cachorrinho e a bóia de pneu de caminhão, engole tudo pra voltar ao tatame e se confunde, se arrelia mas  nunca acaba essa escuridão.

Arrastamos o cadáver nas ruas e nem chegamos aos velórios tardios das mulheres assassinadas, os filhos matando os pais e o diabo a 4 dando pernadas e pauladas.

O carro não pega no arranco, porque no dos outros é refresco.

Não estamos tão lascados assim, estamos na escuridão.

Nossos bolsos cheios de pedra, iguais aos de virginia woolf. Quem botou essa merda lá no Planalto Central?

Cadê o fundo? Cadê o pix? Cadê a revolta? Cadê, cadê, cadê?

Kapetadas

1 – China observa conflito no Oriente Médio em silêncio e responde apenas com um emoji de planilha.

2 – Lembram d o Sicário? Aquele que te apagou no armário?

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

[ufc-fb-comments]