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MP e FPF iniciam tratativas para tornar estádios ‘seguros’ para mulheres na PB

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publicado em 07/03/2026 ás 09h39
Foto: Reprodução

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) iniciou tratativas com a Federação Paraibana de Futebol (FPF), com representantes de clubes e de torcidas organizadas para a adoção de providências que tornem os estádios e os eventos esportivos ambientes seguros e acolhedores para as mulheres e famílias.

A primeira medida deliberada é uma campanha de conscientização sobre o combate à violência contra a mulher, principalmente nos dias de jogos, quando há o aumento do número de casos de agressões. Faixas sobre o assunto serão exibidas, neste sábado (7), durante a partida entre Botafogo-PB e Serra Branca, na semifinal do Campeonato Paraibano de Futebol.

Nesta semana, os dois mandantes das semifinais do Campeonato Paraibano, Botafogo-PB e Campinense, fizeram campanhas pelo ingresso gratuito de mulheres nos estádios.

As tratativas estão sendo feitas pelo Centro de Apoio Operacional às promotorias de Justiça de defesa da Mulher (CAO Mulheres), com o apoio do Núcleo de Defesa do Torcedor do Ministério Público estadual (Nudetor), e também deverão ser estendidas com as secretarias estadual e municipais de Esporte.

A ideia é que, além de campanha de conscientização, os órgãos governamentais e as entidades esportivas adotem providências como a criação de um ambiente destinado a mulheres e famílias nos estádios e melhorias em banheiros femininos para torná-los mais seguros.

De acordo com a coordenadora do CAO Mulheres, a promotora de Justiça Dulcerita Alves, a ideia de tornar os estádios e o futebol um ambiente seguro para mulheres e famílias foi discutida na reunião promovida, no início de fevereiro, pelo Nudetor/MPPB para tratar da segurança nos estádios paraibanos e, mais especificamente, dos avanços na implementação do reconhecimento facial na entrada dos torcedores, em cumprimento às Leis Geral do Esporte de 2023 e Estadual 14.137/2025, que exigem a implementação desse sistema biométrico.

“Nessa reunião, destacamos que os estádios não devem ser mais seguros só para os homens; devem ser ambientes seguros também para as mulheres! Em dias de jogo é comum o aumento da violência contra a mulher, motivo que nos faz fomentar o diálogo em lugares com público majoritariamente masculino, como estádios de futebol em dia de jogo. As estatísticas mostram que o pico da violência ocorre justamente após o apito final, quando o consumo de bebida alcoólica e a frustração ou euforia excessiva levam às agressões. Isso é inadmissível!!! Queremos ocupar os estádios para conscientizar as pessoas e atuar na prevenção porque, por mais que atuemos na repressão, depois que aconteceu o crime, o dano está feito. Precisamos educar os homens de que dia de jogo não é dia de violência; é dia de torcer e que agressor não tem torcida!”, disse a promotora de Justiça.

Para o coordenador do Nudetor, o promotor de Justiça José Leonardo Clementino Pinto, essa é uma medida importante para garantir a paz nos estádios. “O Nudetor tem feito reuniões rotineiras com os clubes e federações e tem observado que essa política social do Ministério Público tem forte apelo junto a todos os clubes e torcidas. Todos estão dispostos a auxiliar. O Nudetor é parceiro dessa interlocução entre o CAO Mulher e a estrutura do futebol, incluindo a federação, clubes e a Secretaria Estadual de Esportes. O esporte é um espaço de grande apelo popular, sendo por isso um local ideal para a veiculação dessas campanhas”, disse.

Dia da Mulher

Conforme explicou a coordenadora do CAO Mulheres, as faixas educativas foram confeccionadas pela FPF e serão exibidas durante o jogo da semifinal do Campeonato Paraibano de Futebol, que acontece na véspera do Dia Internacional da Mulher (8/03), data em que o mundo comemora os direitos e as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, além de ser um dia de reflexão e luta contra a desigualdade, o machismo e a violência.

“Essa é uma primeira medida importante e simbólica para conscientizar a população sobre o problema. A violência contra a mulher e a importunação sexual estão bastante presentes em espaços de grande aglomeração, como eventos desportivos, o que pode impedir o acesso do público feminino aos estádios. Sabemos que isso é uma das barreiras ao pleno exercício dos direitos fundamentais das mulheres, exigindo uma atuação proativa e articulada das instituições que compõem o Sistema de Justiça e de Segurança Pública. O CAO pretende começar a iniciativa com ações educativas, através de faixas com frases simples, curtas mas com impacto que a causa merece. Esse assunto deve ser sim debatido em todos os espaços diante do grande número de feminicídios ocorrido em 2025, quando foram registrados, segundo a Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social, 36 assassinatos de mulheres na Paraíba”, disse.

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