João Pessoa, 06 de maio de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
Juiza de 9a Vara Civel de João Pessoa. Especialista em Gestão Jurisdicional de Meios e Fins e Direito Digital

Um cafezinho como ritual de fim de tarde

Comentários: 0
publicado em 06/05/2026 ás 18h03

Um Cafezinho como Ritual de Fim de Tarde

Minha história com o café remonta ao século passado, Kkk

Ela não nasceu de um despertar súbito, mas de um convite silencioso para uma pausa no meio do expediente.

Tudo começou quando entrei para o serviço público do TJRN. Ao lado do Tribunal, havia uma padaria, cujo cheiro dos pães, ditava o ritmo da parada para o lanche.

Por volta das 15:00 h, o aroma anunciava a chegada de Lourdinha, a moça da copa, que trazia pão doce quentinho, e que nos remetia, imediatamente, a uma pausa para uma xicrinha de café.

Ali, entre um processo e outro, fui seduzida pelo aroma distinto, pelo cheiro inconfundível, pelo calor da xícara e, sem perceber, o café deixou de ser uma bebida para se tornar um hábito, e hoje, uma indispensável paixão!

Com o tempo, de xicrinha em xicrinha, deixei de apenas beber para aprender a gostar e degustar. Descobri que o café é um universo mágico: do grão moído na hora, às nuances das torras clara, média e escura.

Entendi as duas grandes faces dessa bebida: o Robusta, destaca-se pela personalidade marcante, com notas amargas para quem busca intensidade, já o Arábica, é mais suave, nobre, com delicada acidez, embora existam mais de 25 espécies de grãos.

O café é, antes de tudo, um despertar de sensações. Como bem dizia Rubem Braga, “o remédio é ir tomar um cafezinho”. E ele tinha razão. O final de tarde é um chamado magnético. Seja um expresso encorpado, um filtrado nostálgico ou um coado feito sem pressa, acompanhado de um bolo de laranja, uma tapioca de carne de sol com natas ou um elegante croissant, sempre na companhia das amigas, claro!

O café virou sinônimo de conversas, rizadas, desabafos, terapia, troca de experiências, e, mesmo quando sozinha, vira um momento de nostalgia e reflexão!

No Brasil, essa bebida é bastante apreciada na preferência nacional. Pois o que antes era apenas um “cafezinho de bule”, hoje é uma potente indústria repleta de variedades, cheia de sofisticação e histórias.

O mercado premium elevou o padrão do café, garantindo ao grão o status de joia. Já que ele é  avaliado pelo aroma, sabor, acidez, corpo. E, em pensar que tudo começou no século IX, na Etiópia, quando pastores notaram que suas cabras ficavam saltitantes após mastigarem uns frutinhos vermelhos…

Hoje, o Brasil é o grande hotspot mundial dessa cultura, liderando a produção global, graças ao clima e à posição das nossas terras espalhadas por Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia.

Nesse cenário de luxo, as excentricidades impressionam. O Kopi Luwak da Indonésia, é o café mais caro do mundo, cujas fezes processadas pelo sistema digestivo do musang, chega a custar de U$ 100 US$ a 300 dólares a xícara.

Por aqui, nossa versão nacional, igualmente curiosa, é o Café do Jacu do Espírito Santo. Cujo pássaro seleciona naturalmente os melhores frutos e, após a colheita manual e higienização rigorosa das suas fezes, o resultado é uma bebida suave, com notas de frutas silvestres. Eu provei, e confesso: está aprovadíssimo!

Essa bebida nem sempre foi amada. Já foi considerada “maligna” e proibida em Meca em 1511, por estimular pensamentos radicais. Na Suécia porque esse vício importado afetava a moral.

Que bom que os tempos mudaram! Porque pesquisas recentes indicaram que o consumo moderado de café traz benefícios à saúde, pois a cafeína, bem como seus polifenóis e outros compostos, protegem contra inflamações, melhoram a saúde intestinal, aumenta a concentração e reduzem o risco de doenças como diabetes tipo 2, Parkinson e certos tipos de câncer.

Em pensar que o café já ditou a política no Brasil, na Primeira República, em que a alternância da cadeira presidencial consistia no revezamento entre representantes dos estados de São Paulo e Minas Gerais, os mais populosos e ricos da época, na Política do Café com Leite.

E o café migrou das sombras para a luz dos refletores de Hollywood. Impossível não lembrar de Audrey Hepburn, elegante em frente à vitrine da Tiffany’s, com sua xícara de café, ou da correria de Anne Hathaway em O Diabo Veste Prada, equilibrando copos fumegantes para satisfazer aos comandos da endiabrada Miranda Priestly.

O café é o meu fio invisível que une a simplicidade das lembranças do pão doce de Lourdinha ao glamour das excentricidades. Ele é o meu ritual de final de tarde. O compasso que marca a pausa entre uma tarefa e o ponto de partida para um novo fôlego. Afinal de contas, a vida acontece entre muitos goles de café!

Vamos tomar café amigas!

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

[ufc-fb-comments]