A escritora Andrea Nunes pediu para que eu apresentasse seu novo livro. A Academia Paraibana de Letras foi o lugar ideal para este marcante acontecimento, evento organizado pelo Pôr do Sol Literário. O lançamento do livro “Presunção de Inocência” é um acontecimento que torna a Literatura da Paraíba ainda mais nacional.
Mesmo tendo nos registros de nascimento o sobrenome Nunes, nosso parentesco é distante. Venho dos montes de Serraria. Andrea cresceu nas areias e junto ao mar de Tambaú. O que nos une é que somos Cristãos Novos e temos profunda admiração pelas artes, e gosto pela leitura e pela escrita.
Revelada na literatura de ficção, notadamente usando o drama policial e a investigação como matéria para seus livros, Andrea Nunes, escolhe os temas mais intrigantes. Aliás, um gosto que descobriu na adolescência. Ainda menina-moça se debruçava nas leituras de Agatha Christie, porque ficava empolgada com os mistérios dos livros da autora inglesa.
Não sei por qual motivo a minha parenta e amiga pede para falar sobre seu novo livro, que segue a mesma temática dos anteriores. Cada livro aborda assunto empolgante, revelando Andrea como uma escritora consagrada no gênero da ficção policial. Quem conhece o trabalho dela sabe o quanto é prazerosa a leitura de suas obras.
O livro “Presunção de Inocência” chega às livrarias em todo o País como uma obra consagrada pela crítica especializada em literatura policial. As outras obras literárias merecidamente também foram acolhidas pela crítica.
Neste livro, a autora usou como paisagem um campus universitário, localizado em Brasília, mas que poderia ser em lugar.
A cobiçada faculdade de Direito era o sonho de consumo de jovens que desejavam se tornar criminalistas. No convívio do dia a dia, inesperadamente, estes se deparam com conflitos humanos e crimes.
Andrea trabalha o tema com maestria e conduz o leitor de forma magnifica pela narrativa. Utiliza palavras certas para falar de temas complexos, como a narrativa policial, por isso a leitura nos captura.
Repito as palavras que se encontram nas notas explicativas do livro: “Para decifrar os enigmas e se livrar das ameaças que vão aparecendo a cada dia, os estudantes precisarão contar com os ensinamentos de uma dupla de professores de métodos heterodoxos, com quem descobrirão os truques e a malícia para enfrentar a alta criminalidade de um modo que não se aprende em cartilhas acadêmicas”.
Entretanto, para vencer os criminosos, eles terão que superar a competitividade de uma universidade de elite, vencer suas limitações e traumas pessoais e saber lidar com as paixões juvenis que afloraram a todo vapor.
Para falar de tão intrigante assunto, Andrea Nunes não tem dificuldade, porque conhece profundamente o mundo das investigações criminais. Como Procuradora de Justiça, envolvida com pilhas de papéis sobre os mais variados temas jurídicos e policiais, aprendeu a abordar esses temas com uma escrita refinada.
A escritora navega em alto nível pelo universo da literatura, visto que é uma grande leitora. Sabe modelar personagens que ganham dimensão dentro do enredo. Somente quem conhece os meandros da literatura consegue se expressar com tanta competência para descrever uma história empolgante, a exemplo deste livro “Presunção de Inocência”.
Na maioria os temas de seus livros são ambientados no emaranhado mundo da justiça, do ambiente policial. Com este “Presunção de Inocência” não poderia ser diferente.
Como foram os demais livros, “Presunção de Inocência” já se tornou um grande acontecimento literário. Louvores sejam dados a Academia Paraibana de Letras e ao Pôr do Sol Literário por apoiarem este lançamento.
Autora de romances policiais premiados, como “Corpos Hackeados”, “Jogo de Cena” e “A Corte Infiltrada”, a convite de universidades Andrea Nunes tem debatido a Literatura Policial Brasileira em países da Europa.
Uma das poucas escritoras brasileiras a explorar o gênero suspense, a literatura policial, Andrea Nunes revelou, em mais de uma oportunidade, que a diversidade dos gêneros literários escritos por mulheres avança numa proporção muito semelhante ao protagonismo que a mulher assume em diversos papéis na sociedade.
É a partir desse material, aliado à sua fértil imaginação, que Andrea retira o conteúdo central de suas narrativas ficcionais. Ela mesmo revela que, sendo leitora contumaz de literatura policial desde a adolescência, sua profissão ajuda bastante explorar os cenários, as curiosidades, as contradições e tensões do universo frequentado.
Certa vez, respondendo a uma pergunta de jornalista, Andrea revelou que a literatura policial, pelo seu formato acessível ao público, possibilita “diluir provocações filosóficas e inquietações sociais que precisam chegar ao conhecimento da população”.
No seu entendimento, com uma boa história de suspense o leitor é arrebatado da sua rotina pela fantasia, “mas também o devolvemos intensamente ao seu tempo, circundando a história com as questões do seu país e do mundo contemporâneo”.
Andrea dá a receita para o livro no gênero que abraçou: o bom suspense erudito deve ser veloz e envolvente o suficiente para competir com diversas opções de entretenimento mais superficiais, mas também profundo o bastante para que a leitura agregue valor e densidade cultural para quem lê.
Assim como seus demais livros no gênero, este “Presunção de Inocência” não apresenta uma resposta pronta aos temas usados como pano de fundo. Ela puxa pela imaginação do leitor, nisso reside a sua maestria na arte de escrever.
Andréa está entre as dez maiores escritoras da Paraíba, não tenhamos dúvida.
Paraibana de João Pessoa, Andrea Fernades Nunes nasceu em novembro de 1971. Filha do ex-reitor da UFPB Jader Nunes, aos 21 anos se formou em Direito, e aos 23 anos, aprovada em concurso público, ingressou no Ministério Público, e, deste então, vive em Pernambuco. Mas nunca perdeu sua identidade com a Paraíba, afinal, suas raízes familiares e residencial, que continuam em João Pessoa, são muito fortes, onde esporadicamente está participando da vida cultural e social da cidade.
Como Promotora de Justiça, morou nas cidades de Arcoverde, Nazaré da Mata e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e depois fixou residência no Recife. Em 2014, recebeu o título de cidadã pernambucana.
Com a entrega do Diploma e do título de Sócia Honorária a Andrea Nunes, a Academia Paraibana de Letras enriquece o quadro.
P.S.: O livro “Presunção de Inocência” foi lançado no dia 30 de abril de 2026, na Academia Paraibana de Letras.
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