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Uma nova era de instabilidade global intensificou os desafios no enfrentamento do problema mundial relacionado às drogas, fortalecendo grupos criminosos organizados e elevando o uso de drogas a níveis historicamente altos, é o que afirma o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) no último relatório mundial sobre drogas (2025).
“Esta edição do Relatório Mundial sobre Drogas mostra que os grupos organizados de tráfico de drogas continuam a se adaptar, explorar crises globais e mirar populações vulneráveis”, disse Ghada Waly, Diretora Executiva do UNODC. “Devemos investir em prevenção e abordar as causas profundas do comércio de drogas em todos os pontos da cadeia de suprimentos ilícita. E devemos fortalecer as respostas, aproveitando a tecnologia, reforçando a cooperação transfronteiriça, proporcionando meios de subsistência alternativos e tomando medidas judiciais que visem os principais atores que impulsionam essas redes. Por meio de uma abordagem abrangente e coordenada, podemos desmantelar organizações criminosas, fortalecer a segurança global e proteger nossas comunidades.” , conclui a citada diretora.
Excluindo álcool e tabaco, a cannabis – “maconha”, é a droga mais consumida em todo o mundo, com cerca de 244 milhões de usuários, seguida por opioides (61 milhões), anfetaminas (30,7 milhões), cocaína (25 milhões) e ecstasy MDMA e derivados (21 milhões), é o que afirma o referido relatório mundial.
O mercado ilegal de cocaína, por exemplo, segundo os dados publicados, vem batendo seus próprios recordes. A produção, apreensões e uso desta droga deixa claro que é a que mais cresce no mercado ilícito. A produção ilegal disparou para aproximadamente 3.708 toneladas, quase 34% a mais do que em 2022. Mas tal crescimento não se limita à cocaína. O mercado global das drogas sintéticas também continua se expandindo a passos largos. E, segundo afirmam alguns especialistas, isto se deve a fatores como baixos custos operacionais e riscos reduzidos de detecção.
Dentre as sintéticas, o crescimento tem sido dominado especialmente pelas drogas estimulantes, (anfetaminas – ATS, metanfetaminas), incluindo a droga apelidada de “cocaína dos pobres” – captagon, que é um remédio para transtornos de déficit de atenção, produzido em massa na Síria, e que está proibido na maioria dos países, mas vem despontando como a droga favorita dos jovens em muitos países, especialmente no Oriente Médio, África do Norte, EUA etc. As ATS atualmente representam quase metade de todas as apreensões globais de drogas sintéticas, seguidas pelos opioides sintéticos, incluindo o fentanil e suas variações.
O tráfico ilícito de drogas ainda é o braço mais lucrativo das organizações criminosas, e gera centenas de bilhões de dólares anualmente para estas.
Não é fácil combater o crime organizado, especialmente quando o Estado é desorganizado, como é o caso do Brasil. Mas, ser difícil é diferente de ser impossível. As forças de segurança, o sistema estatal de repressão à criminalidade como um todo, podem e devem enfrentar as organizações criminosas, de forma coesa, articulada e permanente. Contudo, para tanto é necessário que as instituições públicas deixem de lado as bandeiras ideológicas, políticas, vaidades pessoais e interesses individuais e comecem a agir pensando no bem comum da população. Só com uma atuação estatal coordenada, articulada e permanente, em que todas as forças caminhem na mesma direção, será possível efetivamente desarticular o crime. Para que isto se concretize, é indispensável a criação de leis mais duras para criminosos faccionados e ou promotores de crimes violentos, aprimoramento dos setores de inteligência e perícia policiais, reduzir a morosidade e leniência do poder judiciário para com os infratores e menos desconfiança recíprocas entre todas estas instituições.
Em paralelo a repressão qualificada e efetiva aos criminosos é indispensável que ações educativas informativas relacionadas ao uso indevido de drogas e suas consequências, sejam empreendidas desde os primeiros anos de vida das crianças, até o final da adolescência, bem como que sejam disponibilizados pelo poder público, equipamentos de saúde e assistência social, dotados com profissionais capacitados para atender usuários, dependentes químicos e familiares, que estejam precisando de ajuda.
Os dados do relatório da UNODC atestam que, apenas uma em cada doze pessoas com transtornos por uso de drogas, recebe alguma forma de tratamento. Assim, uma política de disponibilidade de serviços de saúde e sociais baseados em evidências podem ajudar a mitigar o impacto do uso de drogas na saúde das pessoas, comunidades e sociedade em geral.
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PRESIDENTE DA ALPB - 05/05/2026





