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Francisco Leite Duarte é advogado tributarista, auditor-fiscal da Receita Federal (aposentado), professor de Direito Tributário e Administrativo na Universidade Estadual da Paraíba, doutor em direitos humanos e desenvolvimento. Na Literatura, publicou os romances “A vovó é louca” e “O Pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de agosto”, um livro de memórias (“Os longos olhos da espera”), e dois livros de crônicas.

A alma existe?

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publicado em 28/03/2026 ás 19h12

Não tenho a expertise para discutir essas coisas da Filosofia ou da Religião. No entanto, porque sou parte interessada, caiu-me à cabeça certas preocupações e indagações, mesmo que, para isso, elas queiram, ao final, expressar apenas meu desejo de final de vida.

Somos alma e corpo? A alma, consciência ou mente, como quiserem chamar, resistirá á inexorabilidade da entropia, enfrentará o tempo, mesmo depois da morte?

A pergunta é simples. A resposta, pelo contrário, se encaminha para muitos lados, uma biruta que vai para o onde o vento soprar.

Chico Leite, depois da morte, continuará como Chico Leite, essa maravilha de gente boa, ou não? Será que os átomos e as informações que, hoje, me constituem, se diluirão na natureza, em outros elementos seus, e ponto final? Só isso?

Em outras palavras: a alma existe, ou somos apenas um amontoado de elementos da natureza, ainda que um monumento integral de complexidade, mas ainda assim, um ser de nada e vento, ao amanhecer ou entardecer da morte?

Eu adoraria ser Chico Leite novamente, mas, honestamente, não ligo muito se todas as informações que me constituem, e os átomos que me formam, se soltarem por aí e compuserem a tromba de um elefante, a patinha de uma formiga, a pétala de uma flor de Gitirana, os olhos de uma coruja…

Claro, haverá problema se algum dos átomos meus, ou parcelas das informações que hoje me constituem, formarem a tampa de um vaso sanitário ou o que nele se põe dentro, ou pior, bem pior: já pensou se alguns dos átomos vierem compor os chifres de algum bufalino, daqueles que se vestem de verde e amarelo e rezam para pneus clamando por ditaduras?

Meus Deus, tende piedade mim! Por isso, espero e imploro: que meus átomos se espalhem por aí, como polén, até comporem uma bundinha de vagalume, mas que fique preservada essa consciência, sim, a minha alma.

Ela há de continuar… Nem que seja para pagar o pecado da vaidade em algum dos purgatórios existentes por aí. E se o inferno não existir, como me parece ser o óbvio, que ela, minha alma, faceira e fascinante, fique dando cambalhotas pelos jardins desse incrível céu azul.

@professorchicoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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