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Não sei de onde o crítico João Perassolo, da Folha de S.Paulo, tirou essa ideia de que o novo álbum ´Ópera Grunkie´, de Marina Lima, é o pior da carreira da cantora, gerando repercussão e debate na mídia. O disco é dos melhores da artista.
É inevitável o sentimento de Marina Lima, impregnado, que ela carrega em suas canções, performances, nessa chegada aos 70 anos. O disco “Ópera Grunkie” é uma evolução, uma explosão colossal de sons e tons. Já ouvi diversas vezes e não me canso.
O álbum é dividido em três atos, como se fosse ao vivo, uma peça de teatro, uma ópera moderna, e redundante não sou. Nesse trabalho Marina explora o luto, o amor e o cosmopolitismo do irmão, Antônio Cicero.
A primeira faixa “Abertura”, tem algo do eclipsado e segue com ´Partiu´ aliás, o conceito ´Grunkie´ e ´Tribo´ (é tribo mesmo, e não grupo), um espaço que faz referência ao termo ”Grunkie”, criado pela artista para definir sua gente, reunião de pessoas livres, inteligentes e corajosas que aceitam as diferenças. Aí já diz tudo.
O recado dado em ´Partiu´ (segunda faixa) é de uma compositora não mais aflita, que pede carinhosamente ´o cola comigo, fora do umbigo e uma vida inteira para plantar e para colher´. – quer sacada maior?
Isso dela dizer ´plantar e colher´ é tarefa nossa, mesmo que uns não queiram. Essa canção nos leva a colher a luz e a verdade que cegam, a sua energia de sons gotejantes, que circulam nas ações revolucionárias – ainda – de compor e cantar.
O disco segue. ´Perda´ (quarta faixa) traz o cinema da carona que seu irmão Antônio Cícero, pegou com Descartes, no Rio de Janeiro – um mundo afins e indicações que ainda estamos aqui, com vocábulos se ampliando, dores e encantamentos.
No ´Samba pra Diversidade´ que ela dedica a Basdsista, Marcelo D 2 e Maria Bethânia, vem com um ritmo a fluir, invocando a melodia de todo dia, traços que vão dar longe num foguete, até um bonde em pleno gingado.
´Olivia´, a sétima faixa é uma festa – o som vem de todos as tribos, um dialogo com quem teria sido convidado para festa de Olivia, é um delírio. Em ´Collab Grunkie´, a festa se estende com Laura Diaz, vocais de Mano Brown. Do sal da tribo surge a voz de Fernanda Montenegro declamando.
Nesse caminho, a faixa ´Um dia na vida´ com Sana Frango Eketrico, Marina anucia o sol, – o sol na moleira, aí surge uma gata angorá, ela, por elas, Marina Lima.
´Chega Pra Mim´ com Adriana Calcanhoto traz a máscara da noite e o mar a subir, subir, subir, subir, além dos gozos.
Como diz seu irmão Antônio Cícero, “não se entra no país das maravilhas, pois ele fica do lado de fora”
Kapetadas
1 – Maravilhoso, sensacional, excelente, seu disco Marina Lima
2 – Olha, o teu julgamento diz zero sobre quem eu sou, mas diz tudo sobre o tipo de terapia que você precisa.
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 08/05/2026