João Pessoa, 10 de maio de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

O disco de Marina Lima

Comentários: 0
publicado em 10/05/2026 ás 07h00
atualizado em 09/05/2026 ás 20h21

 

Não sei de onde o crítico João Perassolo, da Folha de S.Paulo, tirou essa ideia de que o novo álbum ´Ópera Grunkie´, de Marina Lima, é o pior da carreira da cantora, gerando repercussão e debate na mídia. O disco é dos melhores da artista.

É inevitável o sentimento de Marina Lima, impregnado, que ela carrega em suas canções, performances, nessa chegada aos 70 anos. O disco “Ópera Grunkie” é uma evolução, uma explosão colossal de sons e tonsJá ouvi diversas vezes e não me canso.

O álbum é dividido em três atos, como se fosse ao vivo, uma peça de teatro, uma ópera moderna, e redundante não sou. Nesse trabalho Marina explora o luto, o amor e o cosmopolitismo do irmão,  Antônio Cicero.

Parcerias presentes atravessando o purgatório até o paraíso, com diálogos abundantes, dela e do irmão. O álbum é repleto de imagens, colagens, ruídos eletrônicos, diálogos e samples de vozes. Muitas vozes. É incrível. Nunca tinha visto isso nos discos de Marina Lima.

A primeira faixa “Abertura”,  tem algo do eclipsado e segue com ´Partiu´ aliás, o conceito ´Grunkie´ e  ´Tribo´ (é tribo mesmo, e não grupo), um espaço que faz referência ao termo ”Grunkie”, criado pela artista  para definir sua gente, reunião de pessoas livres, inteligentes e corajosas que aceitam as diferenças. Aí já diz tudo.

O recado dado em ´Partiu´ (segunda faixa) é de uma compositora não mais aflita, que pede carinhosamente ´o cola comigo, fora do umbigo e uma vida inteira para plantar e para colher´. – quer sacada maior?

Isso dela dizer ´plantar e colher´ é tarefa nossa, mesmo que uns não queiram. Essa canção nos leva a colher a luz e a verdade que cegam,  a sua energia de sons gotejantes, que circulam nas ações revolucionárias – ainda –  de compor e cantar.

O disco segue. ´Perda´ (quarta faixa) traz o cinema da carona que seu irmão Antônio Cícero, pegou com Descartes, no Rio de Janeiro – um mundo afins e indicações que ainda estamos aqui, com vocábulos se ampliando, dores e encantamentos.

Na quinta faixa ´Meu Poeta´ Marina fala antes do som:  “eu compreendi você, vou te amar eternamente” e logo ela  nos chama para dançar com musas e deusas, taludes e superfícies.

No ´Samba pra Diversidade´ que ela dedica a Basdsista, Marcelo D 2 e Maria Bethânia,  vem com um ritmo a fluir,  invocando a melodia de todo dia, traços que vão dar longe num foguete, até um bonde em pleno gingado.

´Olivia´, a sétima faixa é uma festa – o som vem de todos as tribos, um dialogo com quem teria sido convidado para festa de Olivia, é um delírio. Em ´Collab Grunkie´, a festa se estende com Laura Diaz, vocais de Mano Brown. Do sal da tribo surge a voz de Fernanda Montenegro declamando.

Nesse caminho, a faixa  ´Um dia na vida´ com Sana Frango Eketrico,  Marina anucia o sol,  – o sol na moleira, aí surge uma gata angorá, ela, por elas, Marina Lima.

´Chega Pra Mim´ com Adriana Calcanhoto  traz a máscara da noite e o mar a subir, subir, subir, subir, além dos gozos.

Como diz seu irmão Antônio Cícero,   “não se entra no país das maravilhas, pois ele fica do lado de fora” 

Kapetadas

1 – Maravilhoso, sensacional, excelente, seu disco Marina Lima

2 – Olha, o teu julgamento diz zero sobre quem eu sou, mas diz tudo sobre o tipo de terapia que você precisa. 

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

[ufc-fb-comments]