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Juiza de 9a Vara Civel de João Pessoa. Especialista em Gestão Jurisdicional de Meios e Fins e Direito Digital

A saboneteira de inox

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publicado em 08/05/2026 ás 14h52

Quando tinha apenas 8 anos, próximo ao Dia das Mães, inscrevi-me num concurso da escola, para eleger a melhor frase que homenagearia as mães no longínquo ano de 1976.

No dia da apresentação escolar, minha mãe compareceu, mas não ocupou as primeiras fileiras.

Sentou-se bem ao fundo do auditório, despretenciosa de qualquer resultado, alheia a qualquer expectativa de premiação, pois sua cabeça girava em torno da aula que teria logo mais à noite.

Dado momento, ao lerem a frase ganhadora, chamaram ao microfone a mãe da vencedora, por três vezes, que não escutou!

Era minha mãe, que estava passando a limpo o conteúdo da sua aula de logo mais à noite. Eu não me recordo da frase que escrevi, mas tenho até hoje o prêmio que ela recebeu, uma saboneteira inox em forma de folha.

Eu não me incomodei com o fato dela não haver escutado. Aquilo não me feriu, muito menos me incomodou, afinal de contas eu saí vencedora!

Posso dizer com todas as letras, ainda tenho e tive a melhor mãe do mundo! Ainda que hoje ela esteja distante por causa do Alzheimer, no fundo do seu coração, resta uma flama chamegante de amor, em seu sorriso terno quando me ver.

Ela sempre foi pra mim não só uma mãe, mas uma amiga, uma psicóloga, uma incentivadora e a companheira mais que leal.

O aconchego de todas as horas, a força silenciosa nos momento de dor, e o motivo para prosseguir nas batalhas da vida.

Na infância, recebemos delas as primeiras lições. Conforme crescemos, elas sutilmente mudam de papel: deixam de ser nossas treinadoras para se tornarem as nossas maiores torcedoras.

Na adolescência, nossa rebeldia natural nos impede de compreender os seus “nãos”; só muito mais tarde, na calmaria da maturidade, é que alcançamos a sabedoria para entender que havia necessidade de receber cada “não” imposto como um limite a nossa defesa.

Como canta David Nasser e Herivelto Martins diziam: “Mamãe é a palavra mais linda, que o poeta escreveu, ela é o tesouro que o pobre, das mãos do senhor recebeu”.

Como pode uma palavra tão pequena, monossilabicamente falando, expressar tantos sinônimos.

Que magia é que essa palavra representa, que traz uma doação incondicional ao seu objeto de amor, que embora ela saia dela, ela nunca sai dele.

E ela nos ensina a amar, e muitas vezes renuncia a si própria, ainda que não seja mãe biológica, como as mães sociais, adotivas, avós-mães, tia-mães, irmãs-mães, todas irmanadas no mesmo propósito.

Mãe significa afeto, compreensão, laços, abraços, consideração, respeito, educação, cuidado, torcida, carinho e reflexão.

Dela, recebemos as primeiras e mais preciosas noções de valores que transcendem gerações.

Ela nunca se cansa, porque mesmo diante do trabalho, estudo, cuidado da casa e família, ainda arranja tempo para nos encher de amor.

E como diz o ditado popular: “Uma mãe é para cem filhos e cem filhos não é para uma mãe”.

Seu dia de comemoração foi idealizado em 1908 nos Estados Unidos por Anna Jarvis, após a morte de sua mãe, com o objetivo de homenagear o sacrifício e amor materno.

Essa data foi oficializada nos EUA em 1914 e, no Brasil, instituída pelo presidente Getúlio Vargas em 1932, celebrada no segundo domingo de maio,  data essa que foi comercialmente adaptada para homenagear todas as mães, assim como na Alemanha, Finlândia, Dinamarca, Canadá, África do Sul, Itália e Japão, que também comemoram no segundo domingo de maio.

Entretanto, nem todos os países seguem a tradição norte-americana e, portanto, comemoram o Dia das Mães em outras datas como: Rússia e a Sérvia, por exemplo, comemoram-no no dia 8 de março; a Noruega, no segundo domingo de fevereiro; o Líbano, no início da primavera no Hemisfério Norte 21 de março; e a Argentina, no terceiro domingo de outubro.

Mas a verdade é que, independentemente do que diz o calendário comercial ou a tradição de cada país, o dia das mães é todo dia, essa data é apenas para marcar o contorno físico do nosso sentimento de amor, como um abraço material de todo carinho e dedicação que ela teve conosco durante nossa existência.

E como diz Drumond de Andrade (1988) em sua crônica  “Presente Pra Senhora”,  nossas mães não estão preocupadas com o presente como: “geladeira, armários, lenços, liquidificador, porta-notas, tigelas de cerâmica, fogão, secador de cabelo, batas”, ou até mesmo uma saboneteira… “O que vale é a intenção! Que tragam um pacotinho de paz.  Tragam pacotinhos vazios. A paz deve estar lá dentro.”

Portanto, parabéns para todas as mães! Em especial para a minha…

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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