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Francisco Leite Duarte é advogado tributarista, auditor-fiscal da Receita Federal (aposentado), professor de Direito Tributário e Administrativo na Universidade Estadual da Paraíba, doutor em direitos humanos e desenvolvimento. Na Literatura, publicou os romances “A vovó é louca” e “O Pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de agosto”, um livro de memórias (“Os longos olhos da espera”), e dois livros de crônicas.

Emoções

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publicado em 08/05/2026 ás 07h00
atualizado em 07/05/2026 ás 17h27

Sou chorão. Sempre fui. Não era à toa que minha mãe, quando me ensinava os quatros cantos da casa, não se cansava de gritar: “Engula esse choro, menino”. Nem sempre obedeci, por isso, apesar das voltas dadas no Cabo da Boa Esperança – e no das Tormentas também – continuo marejando os olhos por quaisquer que sejam as emoções que invadam minhas lembranças.

Aconteceu em Sousa, semana passada. Também pudera! A cidade dos Dinossauros, tão linda, tão linda, para mim é toda especial.

Dela, guardo lembranças muito boas. Depois de deixar a zona rural, suas secas e frentes de trabalhos, lá cheguei em 1979. A primeira tentativa de emprego foi quebrando coco, mas, à época, eu já devorava livros e as cocadas não me davam alento financeiro, muito menos emoções literárias. Busquei emprego em uma loja de tintas, mas o proprietário, porque Uiraúna, de onde eu vinha, tinha fama de ser a cidade dos párocos e dos músicos, disse ao garoto de 18 anos que só tinha vagas para padre ou musicista, o filho da puta.

Eu era mais fino do que aqueles manés-magros em tempos de estiagem. Quando vi e cubei o peso dos cinco engradados empilhados nos carrinhos, no mesmo instante me arrependi de pedir emprego na Coca cola.

Passei o restante do ano de 1979 tentando vender, de porta em porta, “caminhos de mesa”, feitos por Flaviana, mas 1980 se abriu como essas flores acanalhadas de mandacaru. Iniciei o primeiro ano do segundo grau no Colégio Polivalente e foi lá que encontrei Dr. Joãozinho, um jovem sonhador, meu professor de Química, um dos filhos de João Fernandes.

Pois não é que o encontrei semana passada! Sim. Tive a honra de vê-lo na plateia para quem eu palestrava, quase quarenta anos depois. Que emoção! Foi ele, na farmácia do glorioso bairro da estação, que me deu o primeiro emprego.

Eu não me lembrava mais, mas foi o próprio Dr. Joãozinho quem o disse, na frente de todo mundo, como o abordei para esse primeiro emprego. Eu, um moleque ainda…

“Professor, você tem uma farmácia e precisa de alguém para ajudá-lo. Eu sou essa pessoa”.

Fui contratado no outro dia. Ele disse.

Aí eu pergunto para vocês, é ou não para se emocionar?

@professorchicoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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