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Ex-deputado federal, empresário e escritor. E-mail: [email protected]

Carga Tributária: o desabafo de um empresário sobre impostos altíssimos

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publicado em 08/05/2026 ás 10h43
atualizado em 08/05/2026 ás 11h28
Esta semana conversei com um médio empresário e realizei uma breve entrevista sobre a realidade financeira de sua empresa. Antes de relatar o diálogo, considero importante informar aos que não me conhecem que sou afiliado à Associação Paraibana de Imprensa e atuei por muitos anos em diversos veículos de comunicação, entre eles o Jornal O Norte, Correio da Paraíba, O Momento, Diário da Borborema, Última Hora e Correio Braziliense. Essa trajetória legitima minha atuação como articulista, escritor e entrevistador, sempre respeitando o exercício profissional do jornalismo.
Também sou escritor e recordo a célebre frase do mestre Nelson Rodrigues (foto) : “O escritor pode ser bom, péssimo, medíocre ou formidável, mas é escritor”. Não sei onde estou nessa classificação acima.
Durante a conversa, perguntei ao empresário como estava a situação de sua empresa. A resposta veio acompanhada de preocupação. Segundo ele, o faturamento girou em torno de R$ 3,2 milhões, mas, após o pagamento de impostos e demais despesas obrigatórias, sobraram aproximadamente R$ 30 mil de lucro.
Surpreso, perguntei se aqueles números eram reais. Ele respondeu de forma categórica: “Sim, e tenho como comprovar”.
De acordo com o empresário, somente os impostos consumiram mais de R$ 2 milhões. Dentro desse montante, destacou-se o pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, além da CSLL trimestral, ambos em valores bastante elevados. “Desse jeito não dá. Trabalhamos praticamente o mês inteiro para o governo e terminamos com um lucro mínimo, sempre com a corda no pescoço”, lamentou.
O entrevistado também criticou o que chamou de cultura antiempresarial existente no Brasil. Segundo ele, o empresário é responsável por movimentar a economia, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento do país. Citando o economista Roberto Campos, afirmou que “o empresário é o dínamo da sociedade”.
Diante disso, surge uma reflexão inevitável: como pequenos e médios empresários conseguirão sobreviver diante de uma carga tributária tão elevada, em um ambiente marcado por insegurança jurídica e dificuldades econômicas? É uma situação que provoca indignação e preocupação.
Enquanto isso, observa-se o crescimento constante das despesas públicas, sustentadas pelos impostos pagos pelos contribuintes. São justamente a indústria, o comércio e os empreendedores que mais geram empregos e contribuem diretamente para o crescimento econômico do país.
O filósofo político Thomas Hobbes afirmava que “a vida do homem é uma eterna busca pelo poder”. Em muitos casos, percebe-se que parte dos governantes permanece concentrada na disputa e manutenção do poder, sem avaliar com profundidade a realidade enfrentada pela população brasileira.
Já o pensador francês Voltaire dizia: “Quando a nação começa a pensar, é impossível detê-la”. Talvez esteja aí a esperança: que os brasileiros reflitam cada vez mais sobre os rumos do país e sobre a necessidade de encontrar soluções para os problemas econômicos e sociais.
O empresário ainda demonstrou preocupação com debates em andamento no Congresso Nacional relacionados à nova jornada de trabalho 5/2 e aos impactos dessas mudanças podem trazer para empresas já pressionadas por custos elevados.
Ao final da conversa, lembrei uma frase bem-humorada e crítica do cronista Stanislaw Ponte Preta: “Ou se restaura a moralidade, ou nos locupletemos todos”.
Antes de ir embora, meu amigo encerrou a entrevista em tom de ironia, citando Macunaíma, o célebre “herói sem nenhum caráter”, como símbolo de um país que, segundo ele, continua repetindo velhos problemas.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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