João Pessoa, 11 de maio de 2026 | --ºC / --ºC
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Existe um momento da vida ou na vida, tanto faz, tanto fez e farei, em que a gente entende que coragem não é ausência de medo. Coragem é seguir. É o que a vida pede, coragem, na indicação mais certa do Guimarães Rosa.
Durante muito tempo, nos ensinaram que mulheres fortes não tremem, não hesitam, não choram escondidas no banheiro depois de sustentarem o mundo inteiro nas costas, mas a verdade é outra: existem batalhas que vencemos justamente porque tivemos medo e fomos mesmo assim.
O medo não é sinal de fraqueza. Muitas vezes, ele aponta exatamente para aquilo que pode transformar nossas vidas.
Tudo o que nos expande, nos eleva, nos assusta. Tudo o que nos tira do confortável exige um pedaço novo de nós mesmas, mas esse pedaço retorna com mais força.
É no desconhecido que a vida acontece e o próximo instante é sempre desconhecida.
Os maiores recomeços nascem quando decidimos sair do lugar seguro, mesmo sem garantias. Porque viver não é esperar certezas. É aprender a caminhar enquanto o chão ainda está sendo construído, o nposso chão, o sal da vida.
Tenho aprendido a confiar mais no que sinto. A silenciar os ruídos do mundo para ouvir minha própria voz. E isso muda tudo. Quando uma mulher aprende a se escutar, ela deixa de aceitar aquilo que diminui sua alma.
Existe uma revolução silenciosa em escolher a si mesma todos os dias.
Escolher a paz, o autocuidado sem culpa, escolher limites firmes e seguir – essa é a nova Antonia. Escolher pessoas que somam e permanecer inteira, mesmo num mundo que tantas vezes tenta nos convencer a viver pela metade e não dar mais para viver pela metade
A maturidade nos ensina, me ensinou que não devemos mais nos vestir para agradar ninguém. Devemos nos vestir de verdade e a verdade é como a luyz, cega.
De autenticidade. De presença. De liberdade.
Talvez seja isso que mais assuste algumas pessoas: uma mulher que não pede desculpas por existir em voz alta.
Hoje, celebro até minhas cicatrizes. Foram elas que me ensinaram a renascer. Cada tombo me devolveu mais consciência sobre quem sou. Cada perda me ensinou profundidade. Cada silêncio me aproximou da minha essência.
Nasci para expandir.Para recomeçar quantas vezes forem necessárias. Para transformar dor em força, medo em movimento e vida em travessia.
Algumas mulheres não vieram ao mundo para serem contidas. Vieram para incendiar aquilo que tentaram silenciar dentro delas. Ah, eu voo!
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
BOLETIM DA REDAÇÃO - 08/05/2026