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Graduada em direito e pós graduada em direito criminal e família, membro da academia de letras e artes de Goiás, tenho uma paixão pela escrita Acredito no poder das palavras para transformar realidades e conectar pessoas

A República dos mentirosos

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publicado em 21/04/2026 ás 07h00
atualizado em 20/04/2026 ás 19h18

Não vence o melhor vence o que mais se espalha. E eu tenho pena. Pena? Muita.
E, de tanto se espalhar, acaba sendo tomado por verdade.
É o império da repetição. Do ódio e da inveja.

Onde dizer muito vale mais que dizer bem.
E onde o vazio, bem distribuído, passa por conteúdo.
Não se exige talento.
Basta insistência.  E maldade, muita maldade.

E, se vier acompanhada de alguma ousadia mal disfarçada, melhor ainda.
Aparecem, então, os tais espertos.
Não os sábios esses dão trabalho.
Mas os ligeiros de língua, rasos de pensamento e fartos de certeza.

Sabem pouco, mas falam muito.
Erram com convicção e isso basta.
Porque há sempre quem admire a firmeza, ainda que seja firmeza no erro. Na maldade que sai pela boca ferina.

Vendendo vento como se fosse vento nobre,
ocupam espaço, fazem eco, ajuntam iguais.
E assim se multiplicam não por valor, mas por volume.

Pensar, hoje, virou quase um defeito de caráter.
Quem questiona, atrasa o espetáculo.
Quem discorda, desagrada o coro.
É mais seguro repetir.
Mais confortável concordar.
Mais útil parecer do que ser.

E assim se estabelece essa curiosa república:
onde a multidão legitima o raso,
e a esperteza barata se fantasia de inteligência.

Enquanto isso, os que veem… calam.
Não por falta de voz
mas por desprezo ao ruído. A boca miúda.

Porque há uma dignidade em não disputar com o vazio.
Uma astúcia fina em não se misturar ao excesso.

Não assustam os muitos esses são previsíveis.
Nem os espertos esses se denunciam.

E, como dizia Nelson Rodrigues: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.”

O que inquieta, de verdade,
é o silêncio de quem entende o jogo
e escolhe, com precisão, a hora de virar a mesa, porque não existe o ponto final, existe a queda lenta e pública.

Como se dizia antigamente, tenho dito, eu sou Antônia.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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