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É formado em Direito pela UFPB e exerce funções dedicadas à Cultura desde o ano de 1999. Trabalhou com teatro e produção nas diversas áreas da Cultura, tendo realizado trabalhos importantes com nomes bastante conhecidos, tais como, Dercy Golcalves, Maria Bethania, Bibi Ferreira, Gal Costa, Elisa Lucinda, Nelson Sargento, Beth Carvalho, Beth Goulart, Alcione, Maria Gadu, Marina Lima, Angela Maria, Michel Bercovitch, Domingos de Oliveira e Dzi Croquettes. Dedica-se ao projeto “100 Crônicas” tendo publicado 100 Crônicas de Pandemia, em 2020, e lancará em breve seu mais recente título: 100 Crônicas da Segunda Onda.

NOLD, a negação ao envelhecimento 

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publicado em 11/01/2026 ás 08h30

O relógio marcou 50, mas ninguém avisou ao corpo — ou, pelo menos, à conta do Instagram. Antigamente, chegar aos cinquenta era como estacionar o carro na garagem e desligar o motor para ouvir o silêncio. Hoje, aos cinquenta, a turma NOLD está trocando o óleo, turbinando o motor e perguntando onde é a próxima trilha.

Janeiro de 2026 começa com as academias lotadas de “jovens” de meio século. Eles não querem apenas saúde; eles querem a revanche. É a geração que descobriu o “shot” de creatina antes de descobrir onde guardou os óculos de leitura. Usam “smartwatches” que monitoram o sono, o estresse e o oxigênio, como se estivessem pilotando uma nave espacial rumo à juventude eterna.

Há um certo pânico estético no ar, misturado com uma energia invejável. A galera 50+ de hoje não aceita a poltrona, faz beach tennis pela manhã, discute criptomoedas à tarde e usa gírias do mundo digital à noite, que, por vezes, soam como um sapato novo que ainda aperta o calcanhar. É a era do “cinquentear” com cara de trinta, ou pelo menos com o filtro que suaviza as linhas de expressão da realidade.

Mas, no fundo, entre um suplemento de colágeno e uma aula de ioga, existe uma beleza resiliente nessa recusa dos NOLDs. Não é apenas vaidade. É o desejo de continuar sendo protagonista em um mundo que, até pouco tempo atrás, descartava quem já tinha vivido muito. Essa gente não está fugindo do Pilates, está tentando redefinir o que significa a adolescência da envelhecência.

O problema é que o tempo, esse sujeito irônico, não lê legenda de post. Ele continua passando, indiferente ao botox, ao treino de pernas e à blefaroplastia. A grande arte dessa geração será descobrir que o melhor de não querer envelhecer não é parecer jovem, mas manter a curiosidade de quem acabou de chegar.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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