João Pessoa, 11 de janeiro de 2026 | --ºC / --ºC
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O relógio marcou 50, mas ninguém avisou ao corpo — ou, pelo menos, à conta do Instagram. Antigamente, chegar aos cinquenta era como estacionar o carro na garagem e desligar o motor para ouvir o silêncio. Hoje, aos cinquenta, a turma NOLD está trocando o óleo, turbinando o motor e perguntando onde é a próxima trilha.
Janeiro de 2026 começa com as academias lotadas de “jovens” de meio século. Eles não querem apenas saúde; eles querem a revanche. É a geração que descobriu o “shot” de creatina antes de descobrir onde guardou os óculos de leitura. Usam “smartwatches” que monitoram o sono, o estresse e o oxigênio, como se estivessem pilotando uma nave espacial rumo à juventude eterna.
Há um certo pânico estético no ar, misturado com uma energia invejável. A galera 50+ de hoje não aceita a poltrona, faz beach tennis pela manhã, discute criptomoedas à tarde e usa gírias do mundo digital à noite, que, por vezes, soam como um sapato novo que ainda aperta o calcanhar. É a era do “cinquentear” com cara de trinta, ou pelo menos com o filtro que suaviza as linhas de expressão da realidade.
Mas, no fundo, entre um suplemento de colágeno e uma aula de ioga, existe uma beleza resiliente nessa recusa dos NOLDs. Não é apenas vaidade. É o desejo de continuar sendo protagonista em um mundo que, até pouco tempo atrás, descartava quem já tinha vivido muito. Essa gente não está fugindo do Pilates, está tentando redefinir o que significa a adolescência da envelhecência.
O problema é que o tempo, esse sujeito irônico, não lê legenda de post. Ele continua passando, indiferente ao botox, ao treino de pernas e à blefaroplastia. A grande arte dessa geração será descobrir que o melhor de não querer envelhecer não é parecer jovem, mas manter a curiosidade de quem acabou de chegar.
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
BOLETIM DA REDAÇÃO - 16/12/2025