João Pessoa, 03 de maio de 2026 | --ºC / --ºC
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Há quem ainda romantize o amor que tudo suporta, que tudo entrega, que nada pede. É bonito — quase lírico, mas a vida, com lucidez discreta, ensina diferente.
Esse amor que tudo suporta é bonito…nos romances e nas novelas.
Na vida, cobra caro.
Amor que permanece não é o que se sacrifica em silêncio, mas o que se reconhece no outro. É aquele que circula, que vai e volta, que não pesa nem, cobra mas também não falta.
Existe uma sofisticação nas relações equilibradas. Não há esforço excessivo, nem ausências. Há presença. Há troca. Há um entendimento sutil de que ninguém precisa se diminuir para caber.
Amor de verdade não se explica. Se reconhece.
É bem curioso como, hoje, se tenta reinventar o óbvio: justificar ausência, descuido ou indiferença com a frase pronta “esse é o meu jeito de amar”.
“Esse é meu jeito de amar” não justifica ausência, de jeito nenhum. Amor tem linguagem universal.
Há quem sustente relações infelizes por conveniência.
Para a sociedade, tudo em ordem — estão “bem”, como dizem.
Por dentro, um silêncio que pesa, falta de amor próprio … e ninguém vê.
Amor não é idioma estranho, nem código secreto, ele se revela no cuidado, na constância, na atenção. O resto é ausência com nome bonito.
Onde não há troca, há desgaste — mesmo quando chamam de sentimento.
No fundo, não se trata de dar tudo — trata-se de não se perder enquanto se dá.
Amar não é se abandonar para caber no outro.
Talvez seja essa a maturidade do afeto: quando dois sabem ficar, mas também sabem se respeitar. Quando o amor não cansa, não esgota, não exige provas constantes.
O que é mútuo flui. O que não é… pesa…e só existe o amor, se houver amizade.
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
PRESIDENTE DA ALPB - 05/05/2026





