João Pessoa, 14 de março de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
no Blue Note Rio

Cultura: Flávia Bittencourt estreia a turnê “De Dominguinhos a Zé Ramalho” dia 18

Comentários: 0
publicado em 14/03/2026 ás 13h02
atualizado em 14/03/2026 ás 13h04
Atriz e cantora maranhense Flávia Bittencourt

Kubitschek Pinheiro

De volta ao Rio, a cantora, compositora e atriz maranhense Flávia Bittencourt faz show, dia 18 de março, no Blue Note Rio, antes de sair em nova excursão pela Europa onde passará pela França, Itália, Espanha, Portugal e Holanda nos meses de abril e maio.

De Dominguinhos a Zé Ramalho é um show que consagra grandes nomes da nossa música como Geraldo Azevedo, Luiz Melodia, Carlinhos Brown entre muitos outros, além claro, de Dominguinhos e Zé Ramalho, que dão nome ao show.  “Se não existisse Dominguinhos, a música brasileira nordestina não teria se reinventado. Dominguinhos me apadrinhou, e hoje eu vivo a música brasileira com muita influência do que ele produziu” – diz Flávia.

Um espetáculo que celebra a riqueza da nossa música ao aproximar o baião, o forró e o xote de Dominguinhos das sonoridades místicas e poéticas de Zé Ramalho. Em arranjos autorais, o show reverencia esses mestres sem abrir mão da identidade marcante da intérprete.

Após levar a cultura nordestina em forma de música, de expressão e arte a mais de dez países em 3 continentes, Flávia retorna aos palcos brasileiros, trazendo um novo formato, agora mais intimista. Acompanhada por Daniel Silva no violoncelo, Rodrigo Ramalho na sanfona e Guizaão na percussão, o público poderá se deliciar com músicas como “Espumas ao Vento” de Acioly Neto, “Feira de Mangaio” de Sivuca e Glória Gadelha, “Vazio” de autoria de Flávia, entre outros sucessos.

Sobre Flávia

Nascida em São Luís do Maranhão, Flávia Bittencourt é cantora, compositora e atriz. Iniciou sua carreira na adolescência. Suas raízes culturais estão naturalmente presentes em suas composições e escolha do repertório em discos e shows. Com cinco álbuns lançados, já se apresentou em várias cidades do Brasil, Europa, Estados Unidos e África, e dividiu palco com artistas como Luiz Melodia, Alcione, Geraldo Azevedo, Dominguinhos, Época de Ouro e Vanessa da Mata.

Com o CD Sentido, seu primeiro álbum, Flávia Bittencourt foi pré-selecionada para o Grammy Latino e para o Prêmio Tim de música, além de ter a música “Terra de Noel” incluída na trilha-sonora da novela América da TV Globo

Em entrevista ao MaisPB, a artista fala da turnê e lembra do carinho dos fãs quando esteve em João Pessoa.

MaisPB  – Como veio a ideia de chamar a turnê de “De Dominguinhos a Zé Ramalho”, um paraibano e um pernambucano, com vastas obras?

Flávia Bittencourt  – A ideia surgiu dessa vontade de celebrar dois universos muito fortes da música nordestina. De um lado, Dominguinhos, que representa a tradição do forró, da sanfona, da herança de Luiz Gonzaga, e que também foi meu padrinho musical. Fizemos alguns shows juntos e ele participou de alguns dos meus álbuns, o que foi muito marcante na minha trajetória. Do outro lado, Zé Ramalho, com essa poesia profunda, quase mística, que também nasce do Nordeste, mas dialoga com o rock e com a música universal. São dois artistas imensos, um paraibano e um pernambucano, que representam diferentes caminhos de uma mesma raiz. A turnê nasce desse encontro simbólico entre esses dois mundos.

MaisPB – Flávia Bittencourt está de volta ao Rio e vai começar a temporada da turnê no dia 18 deste mês no Blue Note Rio. Pena que não circular o Brasil, né?

Flávia Bittencourt  – Sim, o desejo é sempre circular mais e levar o espetáculo para diferentes cidades. O Brasil é enorme e tem um público muito curioso e interessado na música nordestina. Mas começar essa temporada no Blue Note Rio já é muito especial. É uma casa importante, com um público muito atento à música. A ideia é que o show ganhe estrada depois, porque esse repertório tem uma força muito grande e merece viajar.

MaisPB  – Como se deu a escolha do repertório?

Flávia Bittencourt  – Foi uma escolha muito afetiva. Muitas dessas músicas fazem parte da minha formação musical e da minha história como intérprete. Procurei montar um repertório que dialogasse com a obra de Dominguinhos e de Zé Ramalho, mas também com outros compositores que fazem parte desse universo nordestino e da música brasileira, além de algumas músicas autorais. É um repertório que mistura clássicos e algumas surpresas, criando um fio narrativo dentro do show.

MaisPB  – No show também aparecem canções de Geraldo Azevedo, Luiz Melodia e Carlinhos Brown. Poderia falar dessa composição?

Flávia Bittencourt  – Sim, porque a música brasileira é feita de encontros musicais que aconteceram e continuam acontecendo de forma muito intensa durante minha trajetória musical, com artistas como Dominguinhos, Luiz Melodia e Carlinhos Brown. Embora o ponto de partida do espetáculo sejam Dominguinhos e Zé Ramalho, outros compositores entram justamente para ampliar essa paisagem musical. Geraldo Azevedo, com quem também já dividi palco, tem uma obra profundamente ligada ao Nordeste. Luiz Melodia traz uma sensibilidade muito particular da música brasileira urbana. E Carlinhos Brown, com quem estive recentemente no carnaval, e também no álbum Volitar que foi lançado pela candyall music, traz essa pulsação rítmica e contemporânea. No fundo, o show vai costurando todas essas influências

MaisPB  – Você disse que, se não existisse Dominguinhos, a música nordestina brasileira não teria se reinventado. Vamos falar desse reconhecimento?

Dominguinhos foi um grande renovador. Ele recebeu a herança direta de Luiz Gonzaga, mas não ficou apenas na tradição. Trouxe novas harmonias, novas formas de interpretar, novas parcerias. O próprio Luiz Gonzaga dizia que Dominguinhos modernizou o forró. E ele tinha também uma generosidade enorme com os artistas mais jovens. Eu tive a alegria de receber o carinho e o incentivo dele. Esse reconhecimento é muito importante para mim e também é uma forma de agradecer, em vida e em memória, tudo que ele fez pela música brasileira.

MaisPB  – “Espumas ao Vento” de Accioly Neto e “Feira de Mangaio” de Sivuca e Glorinha Gadelha… que maravilha, né?

Flávia Bittencourt  – São canções que fazem parte do imaginário brasileiro. “Espumas ao Vento” tem uma poesia muito forte, muito visceral. Já “Feira de Mangaio” é quase um retrato musical do Nordeste, cheio de imagens, cores e movimento.Quando essas músicas aparecem no show, o público imediatamente se conecta, porque são canções que atravessaram gerações.

MaisPB – Fale-nos de “Vazio”, de sua autoria…

Flávia Bittencourt  – “Vazio” é uma música muito pessoal. Ela nasceu de uma reflexão sobre os espaços internos que a gente carrega, esse vazio existencial. Essa música me trouxe um presente especial que foi o primeiro lugar no festival de San Remo (sênior), na Itália. E, para mim é importante, dentro de um show que celebra grandes compositores, também trazer uma música autoral que dialogue com essa sensibilidade.

MaisPB  – Com cinco álbuns lançados, você dividiu palco com Luiz Melodia, Alcione, Geraldo Azevedo, Dominguinhos, Época de Ouro e Vanessa da Mata. Bora falar desses momentos?

Flávia Bittencourt  – São momentos muito marcantes na minha trajetória. Cada encontro traz um aprendizado enorme. Cantar com artistas como Luiz Melodia ou Dominguinhos, por exemplo, é uma experiência muito profunda, porque são artistas de uma sensibilidade rara. Alcione é uma força da música brasileira e também uma conterrânea maranhense que sempre me inspirou muito. Esses encontros vão formando a nossa história na música.

MaisPB – Você já veio à Paraíba? Já se apresentou por essas bandas?

Flávia Bittencourt  – Sim, a última vez foi em 2022 no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural. A  Paraíba é uma terra muito importante para a música brasileira. Já tive a alegria de me apresentar por aí e sempre sinto uma conexão muito forte com o público. É uma terra que respira música e poesia, berço de artistas imensos. Sempre que volto, me sinto muito acolhida.