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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Mão na bunda

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publicado em 15/02/2026 ás 07h00
atualizado em 14/02/2026 ás 21h33

       A experiência exigida de uma autoridade é a mesma de um encanador. A diferença é que o encanador conserta alguma coisa. Não mais temos tempo. Eu fico besta com a covardia, a estupidez, monstruosidades, assédio moral e sexual, que vem nos empurrando para um  futuro silencioso. Sei que chegará a época da cruz e  do castigo, mas não dá mais para esperar.

      A notícia é velha e o hábito mais ainda. O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, é acusado de passar a mão na bunda de uma jovem de 18 anos, cujos pais eram amigos dele – a família estava hospedada na casa do ministro, no Balneário Camboriú Um magistrado importunou sexualmente a moça. Senti a firmeza do bordão: “salve-se quem puder”.

       Essa é uma viagem estranha, dolorosa e não faremos julgamentos, que é da alçada da justiça. Conheço muitos homens de valor na justiça brasileira, mas essa do ministro Buzzi jogou merda na cara dos desesperançados. Ah! Na última terça-feira o ministro foi afastado pelo STJ por 90 dias…

      Palavra tem vida, ministro, falada ou escrita. Seria a palavra do ministro solene ou sua palavra corrompe o chão? A palavra está à deriva, muda ou não muda nada. Palavra que traz a verdade. Cadê? Está difícil acreditar no senhor, ministro!

     Não quero crer que são doenças hereditárias. Tantas palavras sublimes, são pronunciadas entre amigos confiáveis: aí chega um ministro acérrimo de tal maneira, atacando uma jovem que poderia ser sua neta? E se fosse o contrário, seu amigo hóspede assediando a filha do ministro? Aí seria verdade, né?

     Atos dessa natureza se repetem entre os miseráveis, pais ou padrastos que estupram as filhas e enteadas, e todo mundo aponta com o dedo na cara. São quase todos pretos, pobres, moram longe e chacoalham. E o ministro?

     A repetição desse horror, coloca o ministro na “berlinda” – nada de compaixão, tem que pagar pelo que fez. Pálpebras são a menor maneira de tapar o mundo – sem chorro, nem vela.

    Como é que um ministro deixa atravessar seu tempo, sua beca, sua carreira, protagonizando uma cena que envergonha sua família e um país já tão despedaçado como o Brasil.

     Saindo de fininho, o ministro nega e prova que não tinha vocação nenhuma para ser julgador.  Nada muda.  Assédio sexual, moral e são tantos, não revelados porque as mulheres não conseguem denunciar, é desumano. Passar a mão na bunda de uma mulher é muito feio, ministro. E o senhor disse que a jovem levava tudo a sério. Fala sério, ministro! 

      Esse comportamento é tão antigo quanto uma prece, uma saudade, um filme de terror, uma panela vazia, uma criança faminta, tão incerto como sair de casa e não voltar.

      Diante disso, a cena nos empurra para limos. Quem poderá deixar de lado uma coisa dessa, a indiferença dos dias, talvez, talvez. A defesa de Buzzi criticou o que chamou de “julgamento antecipado” e já houve julgamento? A filha dele chamou de “narrativa absurda” – que diabo é isso?

       O que vai acontecer com o ministro? Perdeu amigos, perdeu a pose, perdeu a ineficácia jurídica ou não perdeu nada?.

 

Kapetadas

1 – Na pobreza material, o prejuízo é da pessoa; na pobreza de espírito, é de quem está ao redor.

2 – Tudo vai dar certo no Brasil. Mas só para aqueles que nunca dá nada errado.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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