João Pessoa, 02 de fevereiro de 2026 | --ºC / --ºC
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A época é propícia para falar de praia e suas casas. O verão paraibano está no auge, a nossa Capital estourando de tanta gente, com todas as vantagens e desvantagens dessa lotação. Mais desvantagens que vantagens. Praias cheias, preços inflados, trânsito pior que o habitual, restaurantes sem vagas, o sossego comprometido. Quem quiser que elenque as vantagens. Passo ao largo.
As casas de praia estão mudando. Tomando ares de imponência, que não se viam antigamente. Vidros, formas quadradas e tantos outros elementos arquitetônicos de péssimo gosto e tão comum nos chamados condomínios horizontais
Ouvi dizer que o cantor João Gomes, recentemente, tendo adquirido terreno num desses condomínios, encomendou projeto de casa, de renomado escritório de arquitetura. Queria o jovem artista algo aconchegante , acolhedor, gostoso, onde pudesse descansar os ossos com esposa e filhos, entre os shows e apresentações profissionais. Recebeu mais um monte de quadrados, caixotes, por assim dizer, nos mesmos moldes de todos os condomínios. Basta visitar algum condomínio desses, para saber do que estamos falando. As edificações se assemelham a clínicas, bancos, lojas, centros comerciais, enfim, qualquer coisa, menos casa, lar. “Com todo respeito aos arquitetos, mas essas casas quadradas não dá”, arrematou o artista, de 23 anos , mas, de gosto já apurado.
Esse mesmo fenômeno dos caixotes empilhados está se reproduzindo nas praias. Um rápido passeio pela nossa orla, é suficiente para constatar. Uma pena.
Casa de praia deve ter terraços, onde se armam redes para o sono gostoso depois do almoço, ou para as primeiras cochiladas da noite. Casa de praia não tem forro nem laje, só telha e caibros , que mantêm a temperatura fresca. As paredes internas não encostam no telhado, deixando espaço para a circulação do ar marinho. Casa de praia tem que ter mesa grande e pesada, que acomoda por baixo doze pessoas, filhos, netos, sobrinhos, amigos, amigos dos amigos. Casa de praia tem que ter cozinha grande, para se preparar os pescados e frutos do mar, cada dia um diferente, para deleite de todos. Casa de praia tem pisos de ladrilho, cada cômodo com um padrão diferente, ao invés da uniformidade asséptica das chamadas “cerâmicas”.
Há pouco, visitei uma casa dessas, autêntica, na Praia Formosa. Verdadeira viagem afetiva e emocional (gastronômica também), um mergulho nos agora distantes veraneios na casa do meu avô, pertinho dali, em Ponta de Mata.
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