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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Carta para Nelson Rodrigues

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publicado em 31/01/2026 ás 07h00
atualizado em 31/01/2026 ás 08h00

Meu caro Nelson Rodrigues, escrevo para lhe dizer que os idiotas tomaram conta do Brasil. Existe algo não imaginável, onde você está?

A semana passada eu esbarrei naquele saudosista. Aquele sujeito esplêndido, que você me apresentou em Copacabana, que vive atolado no passado. Foi você quem disse isso, né? Ah! Não é à toa que “ego” é boa parte da palavra “cego”, mas este ano eu não tenho como botar o bloco na rua. Tõ míope, estrábico, zarolho, à precedência.

Nelson você vivia dizendo que o saudosista é muito feliz e realizado no passado como um peixinho num aquário de sala de visitas. Pois eu sou igual a ti, só acredito vendo, nunca ouvindo.

Imagina Nelson, se você tivesse aceito meu convite e vindo a Paraíba – teria dado risadas com aquele senhor que  fala com um rei na barriga. Quem? Num sei. Li na coluna do Abel.

O saudosista continua com o pé no passado. Não, não é um idiota, talvez cloaca, nunca discípulo de Paulo Francis, jogado nas areias de Camboinha

Ontem à noite, meu caro Nelson,  encontrei madame Gigi na urgência da Unimed, procurando o exame de DNA de seu filho, cujo marido é eunuco. Ah! O saudosista continua no sofá soçaite e só diz “a chanté”, muito merci all right. Dizem que ele foi coroinha em Bodocongó.

“Um deles atracou-se comigo no meio da rua; arrastou-me para o fundo de um café, e, lá, com o olho rútilo e o lábio trêmulo, dei pôs-se a falar de Marcos de Mendonça, o “Fitinha Roxa”; da “espanhola”; do assassinato de Pinheiro Machado e do campeonato que o Botafogo tirou em 1910”.

Deu a bexiga Nelson, eu não estou entendendo é nada.

O coroa  saudosista só fala no “dad” que já morreu há 200 anos, que foi ministro da eucaristia,  da carestia, da burocracia etc

“Nos vinte minutos da conversa retrospectiva, já lhe pendia do beiço uma grossa, uma espuma bovina, uma baba elástica” Isso aí eu adorei, amei. Nelson, sabe o Nelson daqui, andou com Confucio adentrando entranhas estranhas cabeludas.

De mim para mim, Nelson, nunca compreendi essa nostalgia, essa fidelidade ao passado. “Amigos, eis uma verdade eterna: — o passado sempre tem razão”. Tô passado, Nelson, tô passado!

O outro rapaz, macio, também saudosista, conhecido com “the queen” dos trópicos, envelheceu mandando cartas de amor para si mesmo.

Lembra da tresloucada europeia? Não, Nelson, não tenho notícia.

Os jornalistas Petronio Souto e Lenilson Guedes aproveitam pra mandar lembranças para Barbosinha, o eterno Good  Like, a todo pessoal, adeus

Kapetadas

1 – É impressionante como impede de enxergar um palmo diante do nariz.

2 – A vitalidade só tem um defeito: não é vitalícia.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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