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A maturidade não chega pedindo licença.
Ela se impõe como território conquistado, depois de guerras silenciosas, pactos rompidos e escolhas feitas sem aplauso. Não é concessão do tempo é resultado de consciência.
Ser madura, para uma mulher, nunca foi apenas envelhecer. É atravessar expectativas, desmontar culpas herdadas e reconhecer que nem todo afeto é abrigo. É compreender que o cuidado com o outro não pode custar o abandono de si. A maturidade é um ato político.
Há quem se incomode com mulheres que sabem quem são. Não porque sejam duras, mas porque deixaram de ser moldáveis. A mulher consciente não pede aprovação: ela sustenta. Sustenta o olhar, a palavra, o limite e, sobretudo, o silêncio quando este é mais eloquente que qualquer discurso.
No plano espiritual, maturidade é alinhamento. É quando a alma para de disputar espaço e passa a ocupar o próprio lugar. Não há mais necessidade de provar fé, força ou amor,há presença. A mulher arquetípica sabe: sua energia não implora, ela emana.
Não romantizo vínculos que exigem renúncia da minha essência. Não negocio minha paz em nome de papéis que me cabem mal. Relações rasas, discursos vazios e afetos condicionados já não me seduzem. O tempo ensinou: inteiro ou nada.
Carrego histórias no corpo e lucidez na alma. Sei de onde vim, sei o que atravessei e, principalmente, sei o que não aceito mais. Isso assusta alguns. Liberta outros. A mim, fortalece.
Porque ser mulher, neste tempo, não é pedir espaço é ocupar.
Com consciência.
Com espiritualidade.
Com verdade.
Sem pedir licença.
Sem caber.
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
BOLETIM DA REDAÇÃO - 15/01/2026