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Educador físico, psicólogo e dvogado. Especialista em Criminologia e Psicologia Criminal Investigativa. Ex-agente Especial da Polícia Federal Brasileira, sócio da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas e do Instituto Brasileiro de Justiça e Cidadania. Autor de livros sobre drogas.

Aspectos importantes no tratamento da dependência química

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publicado em 19/05/2026 ás 07h00
atualizado em 18/05/2026 ás 15h36

Quando o assunto é acerca da doença dependência química, uma pergunta muito frequente feita pelas famílias e a sociedade em geral, é sobre se é possível livrar um dependente das drogas? Pode-se dizer, sem dúvida, que sim. Já em relação a se essa é uma doença incurável, a opinião predominante dos estudiosos é que sim, embora haja divergências, mas, é possível tratar com eficiência o drogadicto, desde que este aceite o tratamento e seja disciplinado e comprometido no cumprimento das ações elaboradas e acordadas entre os cuidadores e o paciente.

È certo que não existe um método infalível no tratamento da dependência química ou síndrome de dependência. O mundo inteiro continua “batendo cabeça” com este problema, na tentativa de descobrir uma fórmula de como melhor lidar e tratar este mal. Mas, algumas experiências bem sucedidas, e certas atitudes adotadas por pacientes e cuidadores, podem ajudar bastante, desde que realmente o usuário ou dependente queira parar com tal comportamento de consumo indevido. O “querer” do indivíduo, a voluntariedade, não apenas com ideias teóricas, mas com ações e atitudes reais, é o principal trunfo para que o dependente consiga livrar-se das drogas.

O (a) caro (a) leitor (a) pode dizer que isso não é novidade. E está certo (a), quando um indivíduo quer mudar um comportamento e age nessa direção, tudo fica mais fácil. Contudo, nem sempre o simples desejo, mesmo com ações concretas, por parte do usuário de drogas e da família, é o suficiente, pois, dependendo do estágio da doença, comumente será necessário o apoio e interferência de profissionais especializados, educadores escolares, líderes aceitos e admirados pelo paciente, grupos de autoajuda, da comunidade, dos esportes etc. Todos estes atores são importantes nesse trabalho de persuasão e apoio ao usuário ajudando-o a interromper o referido consumo indevido.

Ás substâncias psicoativas em geral, mesmo que momentaneamente, promovem sensações de desinibição, socialização, euforia, prazer etc., por isso, é importante que sejam apresentadas e oferecidas aos dependentes químicos em tratamento, alternativas que também consigam fomentar estas mesmas sensações e sentimentos, mas que sejam saudáveis. Como exemplo pode-se sugerir: a prática de esportes, atividades físicas, que este goste de fazer, a participação e envolvimento em grupos ligados às religiões, o comparecimento e integração com os grupos de autoajuda e outros.

Como já descrito, quando o dependente químico já se encontra num estágio avançado da doença, muitas vezes há a necessidade de um programa de tratamento que inclua uma desintoxicação controlada num ambiente hospitalar ou similar, associado a um acompanhamento psicológico e de apoio social e familiar.

O retorno do indivíduo em tratamento da dependência química, à comunidade onde mora, é o período de maior risco para as possíveis recaídas, pois, durante sua ausência, na maioria das vezes não mudaram nem o ambiente em que este foi induzido às drogas, nem seus antigos “amigos” que se drogam. Consequentemente, as pressões sofridas para voltar a consumir as referidas substâncias são enormes.

É importante registrar e admitir, que as recaídas por vezes são comuns num processo de recuperação, e que tais deslizes não devem ser vistos como sinal de fracasso.

Alguns estudos estatísticos indicam que, em média, 80% dos dependentes químicos só conseguem abandonar o uso indevido de drogas, em definitivo, depois de três a cinco tentativas. Portanto, a perseverança no sentido de abandonar o vício é sempre um bom sinal, mesmo com a iminência das possíveis e prováveis recaídas.

Vale ressaltar ainda que, embora os dependentes muitas vezes não demonstrem motivação para procurar ajuda a participação dos conselheiros, já citados, podem persuadi-los a iniciarem um programa de tratamento.

Assim, ousamos enumerar algumas dicas, embasadas em experiências bem sucedidas, que podem ajudar conselheiros, cuidadores e especialmente ao usuário / dependente, a se afastar do uso indevido e abusivo de drogas. Vejamos: 1) O momento de parar é agora. Amanhã pode ser tarde; 2) Pare o consumo de uma vez, a diminuição gradativa embora utilizada com relativo sucesso por alguns, tem sido infrutífera na maioria dos casos; 3) Uma vez tomada a decisão pare com todas as drogas de abuso, pois desta forma os resultados são bem mais promissores. A permanência do uso de uma substância, como o álcool, por exemplo, evoca as memórias do consumo da droga principal, desencadeando geralmente possíveis fissuras e consequentemente recaídas; 4) Mude o estilo de vida, ou seja, por um período considerável evite companhias e lugares como (bares, restaurantes etc.), onde costumava consumir a droga; 5) Procure outras fontes de prazer. Retome as antigas formas de lazer e divertimento do período anterior ao ingresso nas drogas, hobbies, amigos não usuários, e a vida social que não dependa do uso de substâncias psicoativas, e  6) Capriche nos cuidados pessoais (aparência, alimentação, exercícios físicos, esportes etc.). Estas são atitudes saudáveis, que produzem bem estar, pela liberação de neurotransmissores como as “endorfinas”, por exemplo, ajudando a controlar a ansiedade o que facilita a manutenção da abstinência.

Por fim, acrescento que, muitas vezes, o usuário e especialmente o dependente, não consegue sucesso em sua luta solitária, ou apenas com o apoio da família, que na maioria das vezes também está adoecida pelo trauma e envolvimento emocional com o problema do seu ente querido. Assim, é hora de procurar ajuda com um profissional especializado: médico, psicólogo, assistente social etc.

Paciência e persistência constituem-se em atributos indispensáveis quando se trata do tratamento da dependência química.

Portanto, persista! Não perca o foco! Não desista! Você consegue!

 

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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