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Ao cair da tarde de ontem, em companhia de amigas, entreguei-me a uma cerimônia do chá “Camellia sinensis”, planta mais conhecida como chá verde, pelo método “Gong Fu”, para marcar a inauguração do apartamento de uma amiga, numa cerimônia marcada pela distinção.
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Foi um momento muito especial, de rara sensibilidade, em que oito mulheres, conduzidas pela mestra do chá, ouviram histórias desta tradição, que veio de suas caminhadas pela Índia e pela Indonésia, ocasião em que degustamos com prazer essa iguaria milenar, que faz tão bem à saúde.
Num ambiente meia-luz, estavam sobre a mesa oito pequenos pires retangulares de madeira; sobre cada um, emborcados, um pequeno copinho e uma minibacia de delicada porcelana trazidos da China. Ao começar a cerimônia, a mestra fez uma oração. Demos as mãos num gesto de irmandade, enquanto a música acalentava as sensações.
O primeiro serviço foi o chá Tea Beauty. Com cerca de 25 anos de maturação, e a nobreza de ser uma das variedades apreciadas pela Rainha Elizabete II, o chá foi servido no copinho, imediatamente deveria ser colocado na mini bacia, cujo copinho deveria ser cheirado profundamente para que fossem liberados os aromas a despertar os mais profundos sentimentos.
Cada uma das presentes esboçou uma sensação! Eu, imediatamente, senti o cheiro de jasmim, e minha cabeça viajou, transportada rapidamente para as paisagens do Tibete, evocando imagens do clássico filme de Brad Pitt “Sete Anos no Tibete”.
O segundo serviço foi uma raridade de chá trazida de um mosteiro na Coreia do Sul. Apenas 2,5 gramas infusionadas numa minichaleira de prata, aptas a desprender todos os aromas, sabores e lendas daquele chá, que era o “Longevity”, com 50 anos de curtição, foi mais forte e aromáticos que o primeiro, despertando rapidamente uma sensação de leveza e calmaria, em que meu corpo respondeu sintomaticamente ao relaxamento profundo como um bálsamo.
O terceiro e último serviço foi um chá, plantado em meio rochoso, com sabor mais incorporado e proeminente, infusionados até perder a força das folhas, representando o respeito, a pureza e a harmonia.
A cada degustação, uma enchia o copinho da outra, fazendo uma oração, com os mais sinceros desejos de boas vibrações, saúde, paz, longevidade, prosperidade e alegrias.
E essa maravilha teve sua origem na China, numa lenda que remonta ao imperador chinês Shennong (Shen Nung ou Shennon), que descobriu a bebida por volta de 2.750 a.C., quando folhas da Camellia sinensis caíram em sua água quente por acidente, enquanto ele descansava sob uma árvore. Impressionado com o sabor, foi rapidamente foi difundido, tornando-se popular entre os chineses.
Rapidamente esse tipo de chá se expandiu pela Àsia, mas somente foi introduzido no Japão por volta do século VI, tomou essa forma ritualística, conhecida como “cerimônia do chá”, tornando-se parte da cultura asiática, que é a principal região produtora, liderada pela China e a Índia.
Mas foi Catarina de Bragança a responsável por difundir a tradição entre os ingleses no século XVIII. Inclusive foi motivo de guerra entre britânicos e americanos, por causa do imposto nas 13 Colônias, em que os americanos, irritados com a abusiva taxação pelos ingleses, vestiram-se como índios e invadiram navios britânicos carregados com chá, no porto de Boston.
Após a cerimônia do chá, a anfitriã ainda nos agraciou com um delicioso serviço composto por salpicão vegano, seguido por uma burrata de queijo de mussarela de búfala e pão australiano com molho pesto, salgados diversos, quiche de alho-poró, torta de chocolate e docinhos. Tudo delicioso!
E nesse fim de tarde, comemos, rezamos e bebemos chá!
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