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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Espancado a empregada

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publicado em 17/05/2026 ás 07h00
atualizado em 17/05/2026 ás 08h22

Trabalhar duro, intenso, lavar banheiros, ultrapassar o horário.  Empregada não é babá, e se esforça para fazer muito mais, vendo em seu trabalho uma forma de ganhar o pão, entre Deus e o demo. É assim mesmo? Não, seria mais justo que a patroa respeitasse uma pessoa que trabalha como secretária de sua casa e não a espancasse.

Na década de 90 li o livro ´Espancando a empregada´ do escritor Robert Coover,  um livro magrinho que é uma novela experimental e satírica, que narra a rotina obsessiva e repetitiva entre um patrão (o ´mestre´) e sua empregada doméstica.

A história foca na busca pela perfeição. Todas as manhãs, a empregada entra no quarto do patrão para realizar tarefas domésticas minuciosas; qualquer falha mínima ou detalhe fora do lugar resulta em um ritual de punição física (o “espancamento” do título).

Porrada: sempre que a empregada comete um erro mínimo, o patrão a castiga fisicamente. O livro repete variações dessas cenas de punição, criando uma atmosfera claustrofóbica que mistura o sagrado e o profano, o dever, a vida e a violência.

No dia a dia é bem pior, o livro é apenas uma indicação e, quando li, pensei em fazer adaptação para o teatro, eu faria o papel dos dois – da empregado e do patrão, mas não  conseguir.

 patroa Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos já está presa por torturar e espancar sua empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, no Maranhão. O caso é mais um…

Pessoas, milhares, dizem que estão perplexas como o mundo tomou outro rumo. Ledo engano.  Isso sempre existiu. O caso ocorreu no dia 17 de abril em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís, e ganhou repercussão nacional. Por que? Pela força das redes sociais.

Carolina em vez de ir ao samba e dançar o xenhenhém, acusou a empregada de furtar um anel de ouro avaliado em R$ 5 mil – isso é não é um anel, é um cebolão. Segundo relatos e áudios divulgados,   a empregada foi agredida com tapas, socos e pisões durante quase uma hora. A vítima relatou que teve que proteger a barriga e seu guri. Isso é antigo, mas Carol esqueceu que hoje, bateu, levou direto pra cadeia

O anel foi encontrado uma hora depois da surra, dentro de um cesto de roupa suja na residência da empresária. Nos áudios gravados pela patroa, ela dá risadas e repete  dizendo –  ´mãos ficaram enxadas´ de tanto bater na empregada, e  não foi a primeira, teve outra acusada, suspeita de roubar uma corrente de ouro.

Corrente – temos que fazer uma corrente para que a Carolina fique uma longa temporada atrás das grades. 

Ninguém pode espancar o outro, acusando de roubo ou qualquer motivo – já passa da hora de bater no lombo de quem mando bater. Ah! Isso é antigo no Brasil.  Andando com a cabeça atabalhoada,  fora de si, falsa moralista Carolina Sthela, cavou sua cova, de tal maneira e que essa sempre sirva de lição a essas podres patroas

Se não nos dão paz, do nada ainda surgem escarros,  murros, ódio  e já sabemos onde vai bater a pancadaria, que serve de comemorações nos grupos. repito: “fiquei com minha mão inchada de tanto bater” .

Lembrei do refrão de Geraldo Vandré: “É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”, – essa frase é da canção ´Aroeira´ (que Vandré compôs e gravou a música  em 1967) A canção ficou famosa por seu forte teor de protesto contra a Ditadura Militar, sendo símbolo de resistência. resto, é esperar pela próxima.

Kapetadas

1 – No paralamas  de uma caminhão  –  ´Vaticano criou o seu banco é porque percebeu que a humanidade teme mais as dívidas do que o inferno´.

2 – Eu tava aqui pensando – só no museu e na telona cadáveres recebem patrocínio.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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