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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

O  tailleur de Jacqueline Kennedy

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publicado em 09/05/2026 ás 07h00
atualizado em 08/05/2026 ás 22h58

Eu tinha, não tenho mais a vida inteira dentro de um computador. Talvez eu tenha tido a ilusão de que, nesses anos todos, uma bolha foi estourada, e meu olhar se tornou mais amplo. De um lado sim, do outro, astigmatismo. E não adianta tirar onda, que o debate é sempre abortado pelo bando dos imbecis. Xô xuá

Eu não posso escrever e está condenado a só falar para quem concorda com o texto, para ´pavonear´ a capacidade de expressar melhor aquilo que as pessoas nem sabem que pensam, ou podem dialogar com pessoas que realmente discordam de mim? Sim, pode ser. Mas não é uma celeuma. Ô nome feio.

No entanto, é apenas uma bolha, pensei, mas bolha é questão de terapia.  Ou quem dera fosse apenas uma bolha. Alguns textos meus, lá dos anos 80 surgiam assim:   Ballantine’s  Jorram a Beleza Anarquista de suas Coxas Molhadas, mas isso faz 40 anos.

Vou agora escrever só para quem pensa como eu? De jeito nenhum. É o caso de desesperar da possibilidade de contato com  os que se acham o máximo, até que outros lados queiram ou não queiram.

Claro que não. É apenas uma bolha.

Eu gosto muito de andar, principalmente de manhã cedo, mas quando eu era jovem  não tinha um Fernando Sabino para atravessar o tempo conversando. ´No problemo´ – temos o Fernando Leal.

Até  o amanhecer, quero ser o que eu gostaria de ter tido, o Nelosn Rodrigues.

Se me fizessem hoje a seguinte pergunta: “Qual foi o livro que fez a sua cabeça?”, eu poderia aproveitar a complexidade semântica da expressão e dizer: ´O Vermelho e o Negro´, cujo personagem Julien Sorel, que nem eu, um jovem pobre e talentoso que, nos convulsivos anos de 1830, deixa para trás sua origem provinciana para circular entre as altas esferas da sociedade parisiense. Adoro Stendhal, adoro Jack Kennedy.

Eu estaria deliberadamente mentindo. A resposta sincera à pergunta seria: já leu Elias Canetti? Essa ideia me remete a um dos temas abordados pelo autor búlgaro nesta monumental  dúvida,  o tema do fogo.

Alguém soprou no meu ouvido que Jacqueline Kennedy usou  um tailleur assinado  por Coco Chanel, no dia em que John Kennedy foi assassinado.

De que modo? Logo verás! Não sei.

Kapetadas

1 – Anvisa suspende produtos de limpeza Ypê?  Sim. A gordura nunca perdeu a esperança nas instituições.

2 – Quer saber? Mude o nome de um problema e metade das pessoas acreditará que ele foi resolvido.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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