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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

A rosa cor de Rosa

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publicado em 02/05/2026 ás 07h00
atualizado em 02/05/2026 ás 09h20

Numa língua desejada, quando nós, por uma vez que fosse, gostaríamos de apontar para uma rosa, jamais uma pistola – a rosa que dança em torno do seu caule, mas está condenada ao exílio entre nós, aqui no jardim da nossa casa.

Às vezes inventamos nosso cinema na chuva, num calor girando pelas pernas, só para nos alegrar.  Sou eu esse surpreendido no meu texto, a vocação, testemunha de outras estações, hoje, com minha barba de fios brancos e o cabelo também.

Não é qualquer coisa. A vida é enorme e se ergue no tempo suspenso e demoradamente estou a olhar para a rosa que diferente de nós, não tem  pruridos, só nasce e morre.

Lembrei que quase distraído, fui ao sapateiro pegar o sapato costurado e na esquina do poder,  a cidade das minhas acácias passadas, não as águas, o moinho da vida como canta Cartola.

Toda a atenção para a rosa sem nome, ( mas sei que é  a rosaamélia) que pode ser vista numa chuva passageira, quando dizemos, ´é só uma nuvem´, mas na tv chove muito e milhares perdem seus esconderijos, seus casebres, sua fé nenhuma oculta.

Às vezes somos rigorosos e implacáveis nesse juízo sobre o tempo.

Dos jardins antigos e inaparentes, desde logo contente ou aquilo me fez feliz, porque há muito estou a esperar a rosa do bem-querer.

Eu agradeço em nome de Lupicínio Rodrigues: “Eu agradeço estas homenagens que vocês me fazem pelas bobagens e coisas bonitas que dizem que eu fiz, receber os presentes, isto eu não tenho coragem, vão entregá-los a quem de direito deve ser feliz”

Já vai passando a delicadeza da minha rosa de sinais expressivos, das torpezas que vejo, ´para viver nesse estado de poesia´ ( de Chico César), um homem velho e a exaustão das considerações gerais a fazer e nada é mais belo do que voltar ao jardim e contemplar a rosa cor de rosa.

Nunca mais a  “Rosa de Hiroshima” , o protesto do poeta Vinicius de Moraes, sobre as explosões de bombas atômicas. Nunca mais.

Kapetadas

1 – Em “Dorian Gray”, Oscar Wilde faz um personagem dizer que metade de uma boa cultura depende dos livros que a pessoa não lê. Mais atual, impossível.

2 – queremos tanto ser imaginados pelo outro… dai é avassalador quando ao invés disso somos percebidos

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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