João Pessoa, 04 de março de 2026 | --ºC / --ºC
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Nunca se falou tanto em política.
E, ao mesmo tempo, nunca se entendeu tão pouco sobre ela.
Opiniões brotam com rapidez impressionante.
Firmes. Convictas. Inquestionáveis.
Mas, curiosamente, frágeis, às vezes debil
Bastam alguns segundos de silêncio
ou uma pergunta simples
para que tudo desmorone.
Vivemos a era da política de aparência.
Não se estuda se repete.
Não se analisa se escolhe lado.
Não se constrói pensamento se herda discurso.
E quem ousa pensar fora do script… incomoda. Se lasca
Defende-se justiça com intolerância.
Clama-se por liberdade enquanto se cala quem diverge.
Exige-se ética — desde que não atinja os próprios.
Tudo depende de quem erra.
Não é mais sobre o que é certo
é sobre quem está certo.
E isso muda tudo.
Porque, no fundo, aprendemos rápido demais
uma velha lição do poder:
não importa ser íntegro
importa parecer para aparecer.
Talvez Nicolau Maquiavel estivesse certo sobre algo incômodo:
os olhos julgam mais do que a consciência.
Por isso, a verdade virou figurino.
A coerência, um acessório opcional.
E a moral… uma estratégia.
Porque quando a verdade deixa de ser um valor
e passa a ser uma conveniência,
a política deixa de ser coletiva…
e vira torcida.
Torcida não escuta.
Torcida não pondera.
Torcida não admite falha no próprio time.
Torcida sem nexo
Torcida vaia.
Ataca.
E, se for preciso, distorce.
E assim, aos poucos, o diálogo morre.
Não de forma abrupta
mas silenciosa, sufocada por certezas prontas e egos inflamados.
Hoje, muitos não querem entender.
Querem vencer, abocanhar
Não querem construir pontes.
Querem provar que estão do lado “certo” da história
mesmo sem saber exatamente que história é essa.
E no meio disso tudo, o país real…, despedaçado
segue.
Segue com problemas que não cabem em discursos prontos.
Com dores que não se resolvem em comentários de internet.
Com pessoas que não são estatísticas
mas viram números quando convém.
A política se esvaziou e no lugar, ficou a encenação.
E o cidadão, muitas vezes, virou plateia de um espetáculo que acredita protagonizar. É tudo onda.
Mas protagonismo exige responsabilidade.
Responsabilidade exige consciência.
Consciência… não se terceiriza.
Talvez o maior ato político hoje
não seja gritar mais alto
mas pensar mais fundo.
Talvez seja ter coragem de discordar do próprio lado.
De questionar quem se admira.
De admitir quando se está errado.
Mas isso não rende aplauso fácil.
Não viraliza.
Não dá pertencimento imediato.
Pensar dói.
E sustentar uma ideia com verdade… exige caráter.
No fim, a pergunta não é sobre esquerda ou direita.
Nunca foi.
É sobre coerência.
Sem ela,
não existe posicionamento
existe conveniência.
E conveniência…
essa sim
é apartidária.
Winston Churchill teria dito que a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais – o que você a diser, leitor?
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