João Pessoa, 19 de janeiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Hoje não pensei nada extraordinário. E isso, curiosamente, me bastou.
Arrumei a casa sem pressa, respondi o que era possível, deixei algumas coisas para depois, bem depois. Quando amadurecemos a lucidez, não exige mais desempenho. Ela se senta ao lado, acompanha, não cobra.
Aprendi que não preciso entender tudo para seguir. Nem nomear cada sentimento. Nem justificar cada escolha. Algumas coisas só pedem continuidade e eu sigo. Eu vou, por que não?
Não me tornei mais forte. Serei.
Me tornei menos dura, suavimente.
Se antes eu pensava para não cair, hoje penso para não me perder. Há diferença.
A lucidez que ficou não é a que vigia o mundo, mas a que me permite habitar o meu próprio ritmo sem culpa.
Fecho este livro como quem fecha uma janela. Não para escurecer a casa, mas para acolher o silêncio que chega.
Nada foi resolvido.
Mas tudo está, enfim, habitável.
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
BOLETIM DA REDAÇÃO - 15/01/2026