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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

O Dia da África

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publicado em 25/05/2022 às 17h25
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Hoje é o Dia da África (Africa Day) e eu moro com a minha pequena e querida família na cidade de João Pessoa, a linda capital do estado da Paraíba e a capital brasileira mais próxima do continente africano, cuja distância em linha reta é exatamente de 3.090 km entre João Pessoa e Serra Leoa, um país da África Ocidental.

O Dia da África celebra a criação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 25 de maio de 1963, com 32 países membros, em Adis Abeba, a capital da Etiópia, posteriormente, substituída pela União Africana (UA), em 9 de julho de 2002. A UA é uma organização continental com 55 países membros, com aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes, mas, a maioria da população vive no baixo desenvolvimento humano.

A UA (2022) é guiada por sua visão de “Uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada por seus próprios cidadãos e representando uma força dinâmica na arena global”. E a população africana crescerá muito até 2063 e a Nigéria é o país mais populoso da África, com 206,2 milhões de habitantes, e ao mesmo tempo, a nação mais rica do continente africano, com um Produto Interno Bruto (PIB) nominal de US$ 432,3 bilhões. E a República Federal da Nigéria está localizada na África Ocidental, sendo a maior produtora africana de petróleo, de filmes, de inhame, de mandioca e de cana-de-açúcar, a sua capital é Abuja e o porto de Lagos é um dos maiores da África e um dos mais congestionados do mundo.

“Agenda 2063: A África que Queremos”, é o plano mestre da África para transformar numa potência global do futuro (UA, 2022). Uma África de crescimento econômico sustentável e desenvolvimento social inclusivo no ano de 2063, depende de hoje, com políticas públicas e ações socioeconômicas eficientes e eficazes para melhorar significativamente o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos 55 países da UA.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) existem 195 países no mundo e os dados do IDH de 2019 de 189 países foram divulgados no Relatório do Desenvolvimento Humano (RDH) 2020, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Em 2019, o IDH não pôde ser calculado para países como a Coreia do Norte, Mônaco, San Marino, Somália (na África Oriental), Nauru e Tuvalu. Segundo o RDH 2020, do PNUD, são 66 países de desenvolvimento humano muito alto, de Noruega (0,957) a Maurício (0,804) na África Oriental. São 53 países de desenvolvimento humano alto, de Seicheles (0,796) na África Oriental ao Gabão (0,703) na África Central. São 37 países de desenvolvimento humano médio, de Quirguistão (0,697) a Comores (0,554) na África Oriental. E são 33 países de desenvolvimento humano baixo, de Mauritânia (0,546) situada numa área de transição entre a África Mediterrânea e a África Subsaariana a Níger (0,394) na África Ocidental.

O melhor IDH da África é de Maurício, com IDH de 0,804. Já o pior IDH da África e do mundo é de Níger, com 0,394. A melhor esperança de vida ao nascer da África é de Tunísia, com 76,7 anos. Enquanto, a pior expectativa de vida ao nascer da África e do planeta é da República Centro-Africana, com 53,3 anos. A melhor média de anos de estudo da África é de Seicheles, com 10,0 anos e a pior média de anos de estudo da África e do mundo é de Burkina Faso, com apenas 1,6 anos. Os melhores anos esperados de escolaridade da África são das Ilhas Maurício, com 15,1 anos. Já os piores anos esperados de escolaridade da África e do planeta são de Eritréia, com 5,0 anos. Por fim, a maior Renda Nacional Bruta (RNB) per capita da África é de Seicheles, com 26.903 dólares internacionais em termos de paridade de poder de compra (PPC) e a menor RNB per capita da África e do mundo é de Burundi, com $ 754 PPC em 2019 (PNUD, 2020).

Entre os dez piores IDHs do planeta Terra todos são de países africanos como Níger (0,394), República Centro-Africana (0,397), Chade (0,398), Sudão do Sul (0,433), Burundi (0,433), Mali (0,434), Serra Leoa (0,452), Burkina Faso (0,452), Moçambique (0,456) e Eritreia (0,459), conforme o PNUD. Todavia, para mudar radicalmente os rumos dos países africanos, em especial as nações com baixo IDH, é fundamental erradicar a pobreza na África até 2063.

A linda e histórica África é o berço da humanidade, repleta de belezas naturais, de animais selvagens e de pássaros. É hora de olhar mais para a África, infelizmente, nos dias atuais, a humanidade está muito preocupada com a Varíola dos Macacos, originária de um país africano, exatamente, em 1970, na República Democrática do Congo, um país da África Central. “A varíola dos macacos é transmitida de animais para humanos e costuma ocorrer em partes florestais da África Oriental e Ocidental” (G1 SAÚDE, 2022). Infelizmente, “Não existem tratamentos específicos ou vacinas contra a varíola dos macacos, mas as crises podem ser contidas”, explica a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Estamos na comemoração alusiva ao Dia da África (Journée de l’Afrique), um continente rico culturalmente e em recursos naturais, mas, infelizmente, enfrentando imensos desafios como a fome, a pobreza, a pandemia da COVID-19, as mudanças climáticas, as guerras civis, o desemprego e o analfabetismo. Hoje, do Brasil, envio um Feliz Dia da África (A Happy Africa Day) a população africana, em especial, aos países africanos e membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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