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Por que a atuação do profissional Turismólogo é essencial para contornar os problemas na oferta turística de algumas praias do Nordeste a exemplo de Porto de Galinhas?
O turismo é uma das atividades com maior potencial de desenvolvimento econômico e social no Brasil. Somos um país rico em diversidade natural, cultural e histórica, o que nos coloca em posição privilegiada no cenário turístico mundial. No entanto, esse potencial tem sido mal aproveitado, principalmente pela ausência de planejamento adequado e pela desvalorização do profissional mais preparado para essa tarefa: o turismólogo.
Não é qualquer profissional que pode assumir o planejamento e a organização de um destino turístico. O turismólogo possui uma formação específica que permite compreender o turismo de forma integrada, considerando aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Ainda assim, no Brasil, essa função tem sido frequentemente substituída por profissionais de outras áreas, que, embora qualificados em seus campos de atuação, não dominam a complexidade do planejamento turístico.
A maioria dos problemas ocorridos nos últimos tempos em algumas praias do Nordeste é por falta de políticas públicas elaboradas e executadas por profissional turismólogo que possa planejar e acompanhar toda oferta turística: a infraestrutura básica, de apoio e infraestrutura turística: desde a qualificação dos recursos humanos, a elaboração dos preços e a qualidade dos serviços oferecidos. No Brasil essa função foi substituída por todos os tipos de profissionais que deve saber bem exercer suas funções nas suas áreas de formação
Os reflexos dessa realidade são visíveis, especialmente em algumas praias do Nordeste. Problemas como infraestrutura precária, serviços de baixa qualidade, desorganização da oferta turística e impactos ambientais negativos estão diretamente relacionados à falta de políticas públicas estruturadas e acompanhadas por profissionais especializados em turismo. Planejar um destino vai muito além de promover eventos ou atrair visitantes; envolve qualificação de mão de obra, definição adequada de preços, organização dos serviços e preservação dos recursos locais.
Essa substituição do turismólogo contribuiu para a desvalorização da profissão e, consequentemente, para o enfraquecimento dos cursos superiores de Turismo. Muitos deles estão sendo extintos ou substituídos por formações rápidas e pontuais, voltadas apenas para o mercado operacional. Embora esses cursos tenham sua importância, eles não substituem a formação acadêmica necessária para planejar e gerir o turismo de forma estratégica e sustentável.
Quando olhamos para a Europa, o contraste é evidente. Lá, o turismo é tratado como política pública de longo prazo. Há investimento consistente na formação superior em Turismo, voltada ao planejamento e à gestão dos destinos, além de programas de formação continuada para os profissionais que atuam diretamente no atendimento e na operação turística. Esse modelo contribui para destinos mais organizados, competitivos e sustentáveis.
Ilustração da ABBTUR – Insignia
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 16/12/2025





