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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

A cesta básica representa 48,32% do salário mínimo em João Pessoa

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publicado em 13/06/2021 às 08h01
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Estimado leitor, estimada leitora, em primeiro lugar, muita saúde. Em segundo lugar, observo que a cesta básica já representa 48,32% do salário mínimo (SM) líquido em João Pessoa, segundo os dados oficiais do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Foram necessários R$ 491,63 para adquirir uma cesta básica de alimentos na capital paraibana no mês de maio de 2021.

Infelizmente, entre abril e maio de 2021, a cesta básica aumentou em 14 capitais brasileiras das 17 capitais analisadas mensalmente pelo DIEESE. As 17 capitais nacionais pesquisadas por ordem alfabética são: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

A cesta básica na capital gaúcha é mais cara do Brasil (R$ 636,96). Já a mais barata do País é da capital sergipana (R$ 468,43). A capital paraibana tem a quarta mais barata da República Federativa do Brasil, com R$ 491,63, mas, o preço da cesta básica dos pessoenses subiu 3,46% nos cinco primeiros meses de 2021, entre as 17 capitais a de João Pessoa foi a terceira variação mais alta, atrás apenas de Curitiba (12,68%) e Natal (9,35%) e empatada com Porto Alegre (3,46%).

Em João Pessoa, a cesta básica calculada pelo DIEESE já custa R$ 491,63 para comprar 12 produtos: arroz (3,6 kg), feijão (4,5 kg), banana (90 unidades), carne bovina (4,5 kg), leite integral (6,0 l), pão (6,0 kg), café em pó (300 gr), manteiga (750 gr), óleo de soja (750 gr), farinha de trigo (3,0 kg), açúcar (3,0 kg) e tomate (12,0 kg). Enfatizo que ocorreu uma variação positiva de 11,67% nos últimos 12 meses, ou seja, de maio de 2020 a maio de 2021, na cesta básica em João Pessoa, ocupando a décima terceira posição no País. Já destaco que apenas Campo Grande (-1,92%) e Aracaju (-0,26%) registraram queda da cesta básica em maio de 2021. Enquanto, na capital mineira, não foi levantado os preços da cesta básica em maio pelo DIEESE.

Com os preços mais caros, em vários produtos acompanhados mês a mês pelo DIEESE para calcular o preço médio da cesta básica em João Pessoa e divulgados na Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA), como o tomate (7,59%), o café em pó (5,07%) e o açúcar (4,97%), logo, 48,32% da renda mensal de um trabalhador com um SM líquido de R$ 1.100,00 ficou comprometida com a compra dos alimentos mais essenciais no mês de maio.

Com base na cesta básica mais cara da décima segunda maior economia do mundo, a cesta básica de Porto Alegre, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário (SMN) deveria ser equivalente a R$ 5.351,11 o que corresponde a 4,864 vezes ao SM vigente no oitavo país mais desigual do planeta. Para os cálculos do SMN pelo DIEESE é considerado uma família de quatro pessoas, um casal em idade adulta com dois filhos menores de 21 anos de idade.

Entre as seis capitais do Nordeste analisadas pelo DIEESE, em maio de 2021, a cesta básica com maior valor médio foi de a de Fortaleza (R$ 532,21) e com menor valor médio foi a de Aracaju (R$ 468,43), enquanto a cesta básica de João Pessoa é a terceira mais barata entre as capitais nordestinas. Três capitais nordestinas não foram pesquisadas pelo DIEESE em maio de 2021, Maceió (AL), São Luís (MA) e Teresina (PI).

Observo também que a inflação oficial do Brasil em maio de 2021 atingiu 0,83%, foi o maior Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do mês de maio desde 1996, pressionado pelo aumento da energia elétrica (5,37%) e da gasolina (2,87%).

Suponhamos com R$ 1.100,00 na conta corrente, o trabalhador após a compra da cesta de 12 produtos alimentícios no supermercado ou na feira livre, restam apenas R$ 608,37 (51,68% do SM) para outras despesas mensais como a conta de energia elétrica, a conta de água, o botijão de gás de cozinha de 13 kg (oscilando entre R$ 83 e R$ 95, de acordo com o PROCON-JP), o botijão de água mineral de 20 litros (oscilando entre R$ 8 e R$ 14, conforme o PROCON-JP), gasolina (mais de seis reajustes não consecutivos no preço do litro de gasolina no ano e oscilando entre R$ 5,249 e R$ 5,549, segundo o PROCON-JP), a conta da internet, as fraldas, os remédios, as máscaras, o álcool 70% e entre outros bens e serviços de consumo necessários para uma família em plena segunda onda da COVID-19.

Os sucessivos aumentos nos preços de vários alimentos durante o ano de 2021 afetam o poder de compra das famílias em João Pessoa, principalmente, das classes econômicas D e E, porque elas têm sérias dificuldades para pagar a cesta básica, em seguida, outros gastos mensais como os serviços de energia elétrica, de água e de telefone móvel. Enfim, a melhor escolha é economizar nas despesas como energia e água, evitar a inadimplência, ter um orçamento doméstico, além de pesquisar os preços dos 12 produtos da cesta básica.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB