João Pessoa, 06 de janeiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Você costuma olhar para a árvore ou para a floresta? Qual é tela de fundo do seu celular? Sabia que à realidade dá lugar ao sonho? Não, a realidade passa a não bastar por si mesma, tornando-se mero intervalo, espaço vazio entre o que foi e o que ainda não chegou. Só falam em tragédias, que este ano será o pior. Ora, se tem algo pior, sai da frente.
Você já tem o novo iPhone 17 Pro? Tecnologia não basta, a moda não basta, o contemporâneo revela-se insuficiente. A consciência exacerbada de que ninguém segura os ´scores´ de risco, é apenas testemunha dessa loucura. Eu disse ninguém?
Quantas pessoas já morreram por causa do celular? Quantas pessoas esperneiam por um iPhone 17, deixam de comer, viajar, comprar uma roupa, juntando dinheiro e comprar o iPhone 17. Quanto custa? E os freios gritando?
Gente que vive a forjar através da afirmação do que não pode. A cara mais lisa do mundo.
A criatura baseia-se na antecipação perpétua de um celular novo, (perpértua?) caro, no desejo de ser a tal, mas nenhuma antecipação efetivamente se converte nesse transe, nessa cadeia de superações que não superam nada.
Antes se trocava o carro zero por outro zerado, agora é o iPhone.
Vislumbro miséria a ser destroçada, acompanhada pela consciência, ou como diz Arnaldo Antunes: “Tire a mão da consciência e meta no cabaço da cabeça, tire a mão da consciência e ponha no buraco da vergonha”
“Veja, minha câmera é melhor que a sua” e eu digo, se lasque com sua câmara.
Vai saber? Onde andará Benjamin Button?
Kapetadas
1 – E esse 2026 que não passa, hein?
2 – Quem não soma, não fará falta.
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
BOLETIM DA REDAÇÃO - 16/12/2025





