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Meses antes de morrer, o ator Eric Dane gravou uma última entrevista, em que ele aparece como entrevistado e entrevistador, (suponho), pelo menos é a sensação que passa a expressão do ator, para as duas filhas adolescentes, Billie, 15, e Georgia, 14. Uma fala impressionante, um amor, talvez, uma vontade de correr, para não morrer sincronizado, de viver mais como se existisse a eternidade.
A interrupção da vida ou a imitação dela, o silêncio, a renúncia de uma palavra de um pai jovem avisando que a vida dele não se acaba ali, (quase uma ilusão) sobre coisas de histórias da intimidade, instantes fulgurantes dessa pulsão, pelo que fez ou deixou de fazer, é triste, viu?
Não é fácil morrer no vídeo, por mais gosto que se tenha pela vida e todos nós temos exageradamente esse medo da morte, o discurso de Eric Dane parecia destionado a nós, pais e filhos do mundo.
Ninguém precisou encarregá-lo da tarefa, invariavelmente pessoal, mas transformada não na sua melhor ´performance´, (será?) certamente, ele preferia não fazê-la – espelho não exaltante da negatividade do mundo, de ter que partir antes do fim.
As lembranças do que eles eram, como costumamos enumerar: primeiro tal coisa, segundo…. “Billie e Georgia, estas palavras são para vocês”, diz o pai “Eu tentei. Às vezes tropecei, mas eu tentei. No fim das contas, nós nos divertimos muito, não foi?”
Primeiro, disse ele que elas (e nós também) vivêssemos o agora. “Neste exato momento, no presente. É difícil, mas eu aprendi a fazer isso”. Eric contou que, por anos, ficou preso a preocupações e arrependimentos. “Eu não deveria ter feito isso. Eu nunca deveria ter feito aquilo.Chega”. Por pura sobrevivência, precisou aprender a flechar no agora.
E agora, onde estamos, onde estávamos? A felicidade não é suficiente para não deixarmos os outros, pois, quando a morte chega, felicidade dos outros fica com eles.
Eric Dane ofereceu seu caderno de notas de pé de página, notas da voz, como o ator fazia nas séries e filmes, não como ele chama as folhas para as lembranças, sobre a síndrome da imagem, algo endêmico das brincadeiras passadas, uma espécie de quem respira junto, não para de avivar-nos a memória e pelo desejo de revisitar as paisagens com Georgia e Bilis. É tão bonito isso…
“Segundo, apaixone-se. Não necessariamente por uma pessoa, embora eu também recomende isso”. Isso dele dizer apaixone-se é tão singelo e pelo que seja, já é muito, essas coisas do sangue, sonhos, adivinhações.
“Terceiro, escolha seus amigos com sabedoria. Encontre as suas pessoas e permita que elas encontrem vocês, e então se entreguem a elas”,
A amizade, não que ele tenha colocado em terceiro lugar, mas afinal, o que a gente faz da vida, sem os amigos? Quem são nossos amigos?
Não, o ator Eric Dane não foi um homem de ciência, mas ciente, ele encontrou uma forma loquente de se despedir, enquanto a gente delira cá nos trópicos, conversamos, moemos as coisas e choramos nesse vale de lágrimas.
Kapetadas
1 – Estou mais cansado do que quem atravessou o dilúvio a nado, mas não foi por nada.
2 – O público moderno tem acesso ilimitado à informação e capacidade ilimitada de não fazer absolutamente nada com ela.
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