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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Carapuça, pulsa, pulsa

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publicado em 12/05/2026 ás 07h00
atualizado em 12/05/2026 ás 07h48

Com ida e regresso, a viagem é um modo de separar as mãos do pulso e pulsar, botar a mão na roda do mundo, cheio de relações mal resolvidas, mensagens apagadas, feridas, para quem não atende a demanda e não retorna (dando uma de c doce) e só liga para descolar outros, sequer reparar se a íris está suja e seguir.

Viajar é também um modo de ter em dia as imagens que guardamos catalogadas as tantas impressões e retinas – tipo Aquele amigo que já foi, mora noutro país, faltando sensibilidades e itens inspirados nas criações do poeta Jean Cocteau – se é que me entende.

Assim são os temores, amores, os coitos adoidados, a tradição hermética da loucura, a moça que é Graça Vieiras no azeite considerado uma iguaria refinada, com carne branca, firme e sabor delicado, adocicado e amanteigado, mas ela está em alto-mar com o namorado francês, corajosa, inteligente, com mais de mil tatuagens no corpo e eu matando cachorro a grito.

Uma pausa – fui ver Michael Jackson na telona e tudo é uma perspectiva obliquamente bonita e triste e fica sujeito à leve instabilidade de um clima de sonho acordado. Não é Michael, é sua sombra.

Não, eu não sou o príncipe desencantado, nem moro onde não mora ninguém, num edifício do Altiplano e não oscilo na outra margem do alvíssaras.

Estamos numa claraboia de águas fervendo que não movem tigelas de sêmen gelatinosos, só pra dizer que encaixou e nada, pois,  nem a ressaca do ranger da cama e depois de tudo isso desperta em mim, em nós, um desejo de força, forca e ainda sou capaz de fazer a flexão da pele solta sobre um músculo dolorido.

Cada um de nós nasce com uma boca e já é muito para falar o que não sabemos. Salve, Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve!,  mas somos todos caranguejos de duas bocas, uma inimiga da outra, adoranddo imagens sacras, mas não estaremnos aqui quando Jesus voltar.

De noite vejo as constelações a se entrelaçar num ponto só do destino, admirando o astro  daqui da Terra, o Michael que em órbita também apodrece

Esta é uma história feita nas coxas de telhados das grandes tradições, das linhas certinhas e fundamentais, por meio de uma substância incerta, que assim indica a rota das profecias.

Não sei mais escrever, só devorar.

Caras fechadas, narizes pontiagudos, pinóquios femininos existem, sabia? Mas  sequer sabem o sabor da maçã  da  canção  do Caetano.

Kapetadas

1 – Ontem assisti no Youtube um pastor fazendo unboxing da salvação.

2 – Os poetas de hoje não têm musa. Tem assessoria de imprensa.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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